Tradição Oral

O povo do Congo conta assim a história da chegada dos portugueses: Em mil quatrocentos e oitenta e três, os portugueses chegaram ao reino do Congo. Foram comprar alguns escravos para as plantações de cana-de-açúcar, na Ilha de São Tomé. Satisfeito com a venda e certo de que ali nascia uma grande amizade, o rei do Congo adotou a religião católica e aceitou ser batizado com o nome de Afonso Congo. Só que ele não sabia que a intenção dos portugueses, a quem chamava de amigos e irmãos, era destruir o seu reino.

LITERATURA ORAL AFRICANA

A literatura oral africana preservou essa história em dois ditados: trate a visita como visita durante três dias, depois ponha uma enxada na sua mão, diz o primeiro, que ensina como distinguir o verdadeiro do falso amigo. Já o segundo ditado é mais direto: quando os brancos chegaram, nós tínhamos a terra e eles a cruz. Depois nos entregaram a cruz e ficaram com a nossa terra.

É sobre casos reais como este que se criam as lendas, os provérbios e contos, como aquele sobre a cotia esperta que engana a onça, e outros que trazem como moral da história, a importância de manter a amizade e a partilha.

Na cultura africana, especialmente a banta, os povos vivem numa sociedade coletiva, onde os deuses, os elementos naturais e os homens interagem como numa roda em movimento. Roda de saia, roda de Jongo, roda de samba, samba de roda, roda de capoeira.

A oralidade não está ligada apenas à tradição. Para os afro-brasileiros a palavra cria o movimento e o movimento produz a cor e o som. Esta verdade, que vem sendo passada de geração em geração desde o princípio dos tempos, está muito presente hoje na cultura urbana.

MEMÓRIA PARTILHADA

Contar histórias é estruturante nas comunidades africanas; é a forma da História permanecer e da memória ser partilhada.

Um antigo ditado banto ensina que, antes de contar uma história, é preciso achar o fio dela. No Brasil, desenrolar o fio de algumas culturas é fácil, mas para contar a história do negro banto é preciso reconhecer que esta linha já deu muitas voltas e, portanto, fica difícil achar o começo do fio.

Mesmo convivendo com povos que falavam outras línguas e possuíam hábitos e valores diferentes, os bantos criavam estratégias que pudessem devolver a eles a identidade. Uma das maneiras que encontraram para reconhecer os seus iguais foi a criação de associações políticas como as irmandades e as comunidades de terreiro.

CONHEÇA A LENDA

Os anciãos estavam reunidos em conselho para decidir com que cores seriam pintados os escudos de guerra