História e Geografia

Durante cerca de trezentos anos o Brasil utilizou mão-de-obra escrava, trazida da África. Foi o país que por mais tempo e em maior quantidade recebeu africanos escravizados. Até o final do século XVII, três quartos dos africanos que chegavam ao Brasil para o trabalho escravo vinham da região Congo-Angola. Pertenciam ao chamado mundo Banto e a eles devemos muito do que somos e do que sabemos.

Os povos bantos ocupam grande parte do continente africano. Eles se concentram na faixa ao sul da linha do Equador, e estão espalhados por Camarões, Gabão, República Centro-Africana, Congo-Brazzaville, Uganda, Quênia, Tanzânia, República Democrática do Congo, Angola, Zâmbia, Zimbábue, Moçambique, Namíbia, Botsuana e África do Sul. Mas nem sempre foi assim. Os ancestrais dos povos bantos viviam na região que hoje está na fronteira norte entre a República de Camarões e a Nigéria. Durante milhares de anos, eles se movimentaram, ocupando a parte sul do continente africano.

Angola, Congo, Benguela, Monjolo, Cabinda, Rebolo. Assim eram conhecidos os primeiros africanos escravizados trazidos da região Congo-Angola para o Brasil. Os portugueses chegaram à costa do Congo no início da década de 1470. O contato com os povos africanos dessa região foi iniciado pelo navegante e explorador Diogo Cão. O principal objetivo de Portugal era o domínio do território africano através da cristianização.
Quando vieram para o Brasil, os povos bantos trabalhavam a cerâmica, praticavam a agricultura, criavam gado e animais domésticos. Dedicavam-se à fabricação de cestos, tecelagem em ráfia e à extração de sal do mar. Também já dominavam a tecnologia do ferro e da metalurgia.

Ainda que fosse maioria, os bantos no Brasil precisaram conviver e articular-se com africanos de outros universos culturais. Também foram obrigados a migrar em território brasileiro. Trabalharam na mineração do ouro, no cultivo da cana-de-açúcar e do café, do algodão e do fumo. Foram peões, boiadeiros, tropeiros, capatazes, negociantes, vendedores ambulantes, artesãos e soldados nas lutas territoriais.

O SAGRADO NA CULTURA BANTA

O sagrado está sempre presente na cultura banta assim como em outras matrizes culturais africanas, que acreditam num Deus criador e pai de tudo que existe; na existência de dois mundos, um visível e outro invisível, e na interação entre esses dois mundos.

“Cata a casca do coco, Iaiá, que a água vai voltar”. Este ponto de jongo mostra que a escravização não tirou do povo banto a esperança de recompor a sua história. Os pedaços da casca do coco são as pessoas da família que foram separadas e a água é a herança que perderam. A diáspora africana criou no Brasil um universo banto e nos legou uma herança rica, presente no nosso cotidiano, marcando o nosso modo de vida.

CONHEÇA A LENDA

Kitembo era um homem muito agitado, que gostava de resolver tudo ao mesmo tempo. Ele vivia reclamando e cobrando de Nzambi