As tranças de Bintou

Às vezes sonho que passarinhos estão fazendo ninhos na minha cabeça. Seria um ótimo lugar para deixarem seus filhotes. Aí eles dormiriam sossegados e cantariam felizes. Mas, na maioria das vezes eu sonho mesmo é com tranças. Longas tranças, enfeitadas com pedras coloridas e conchinhas.

Minha irmã, Fatou, usa tranças e é muito bonita. Quando ela me abraça, as miçangas das tranças roçam minhas bochechas. Ela me pergunta: “Bintou, por que está chorando?”. Eu digo: “Eu queria ser bonita como você.”

“Meninas não usam tranças. Amanhã eu faço novos birotes no seu cabelo.” Eu sempre acabo com birotes. Mariana, que estuda na cidade, e sua amiga têm tranças tão longas que chegam à cintura. A amiga dela não é daqui, eu deduzo por seu sotaque. Quando lhe ofereço papaia, ela diz: “Eu me chamo Teresa e sou brasileira”.

Eu lhe perguntei se as garotas brasileiras usavam tranças. “Muitas usam e põem prendedores coloridos em cada uma.” As brasileiras devem ser lindas... A mulher sorri e balança suas tranças. As miçangas soam como a chuva. E tudo o que tenho são quatro birotes sobre minha cabeça. É triste.

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Até a primeira metade do século XX, uma estética branca determinava os padrões de beleza em praticamente todo o mundo