Todos os Her贸is

Refer锚ncias Bibliogr谩ficas

Livro:
GRINBERG, Keila; GRINBERG, Lúcia; ALMEIDA, Anita. Para conhecer Chica da Silva. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.
SCHUMAHER, Schuma; BRASIL, Érico Vital (orgs.). Dicionário Mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2000, p. 148-150.

Artigos:
FONSECA, Paulo Miguel Moreira da. A negra, o visionário, o traidor: indivíduos e trajetórias na historiografia colonial recente. ANPUH – XXV Simpósio Nacional de História, Fortaleza, 2009.
FURTADO, Júnia Ferreira. Chica da Silva: história e vida. In: SUSSEKIND, Flora. Vozes femininas. Rio de Janeiro, 2003, p. 63-81.


Francisca da Silva de Oliveira : Xica da Silva
(1731/32?-1796)
Escravizada, posteriormente alforriada, que viveu no Arraial do Tejuco (atual Diamantina), em Minas Gerais, no final da segunda metade do século XVIII (1731-32 a 1796).

Francisca da Silva de Oliveira, conhecida por Xica da Silva, foi uma escravizada, registrada em meados dos anos de 1730, no Arraial Milho Verde no município de Serro Frio, atual Serro no estado de Minas Gerais. Era filha do português Antônio Caetano e Sá e da escravizada Maria da Costa, da Costa da Mina, por meio de um relacionamento extraconjugal. Situação comum no período da escravidão no Brasil.

Xica da Silva foi escravizada da fazenda do sargento-mor Manoel Pires Sardinha, no Arraial do Tijuco – atual Diamantina. Nessa época, teve pelo menos um filho, Simão Pires Sardinha, nascido em 1751. Manoel Pires o alforriou e nomeou-o como um de seus herdeiros no seu testamento. Cabe salientar que Simão Pires Sardinha recebeu fomação esmerada, foi educado na Europa e veio a ocupar cargos importantes no governo de Portugal.

Posteriormente, Xica da Silva foi doada ou vendida para o padre José da Silva e Oliveira Rolim. Em meados de 1753, João Fernandes de Oliveira chegou ao Arraial do Tijuco para assumir a função de contratador dos diamantes, que vinha sendo exercida por seu pai desde 1740. Nesse período, por volta de 1754, em acordo com o Padre Rolim, o contratador João Fernades adquiriu e/ou alforriou Xica da Silva, passando a viver maritalmente com ela. Como era costume da época, Xica passou a ser dona de vários escravos que cuidavam das atividades domésticas de sua casa.

Entre 1755 e 1770, João Fernandes e Xica da Silva habitaram a edificação existente no que hoje é a praça Lobo de Mesquita, em Diamantina. Xica e o contratador português viveram juntos por mais de quinze anos. Tiveram treze filhos: Francisca de Paula; João Fernandes; Rita; Joaquim; Antonio Caetano; Ana; Helena; Luiza; Antônia; Mari; Quitéria Rita; Mariana; José Agostinho Fernandes. Todos foram registados no batismo como sendo filhos de João Fernandes, ato incomum na época. A regra corrente era que os filhos bastardos de homens brancos com escravizadas fossem registrados sem o nome do pai.

A união com o contratador João Fernandes deu a Xica status privilegiado. Mesmo após a partida dele para Portugal, em 1770, para receber os bens deixados em testamento pelo pai, Xica já havia se consolidado como figura eminente e respeitada na região. Possuía visão política e uma análise de cenário invejável. Possivelmente por causa dessas habilidades, por uma ex-escravizada ter competência para conseguir posição de destaque na sociedade escravista, tenham se originado muitos mitos em torno de sua personalidade.

Como estratégia de negros e negras enriquecidos, era prática comum participar de irmandades religiosas. Cabe salientar que a filiação às irmandades procurava agregar indivíduos de mesma origem e condição econômica e social, constituindo-se, portanto, num modo de obter distinção e reconhecimento social. Então, estrategicamente, Xica associa-se a irmandades diversas. Rompeu fronteiras ao participar de irmandades até então exclusivas de brancos, como, por exemplo, as irmandades de São Francisco e do Carmo. Também pertencia às irmandades das Mercês – composta por mulatos – e do Rosário – reservada aos negros. Portanto, circulava em diversos espaços, consolidando seu poder, sendo aceita como parte da elite local, composta quase exclusivamente por brancos, assim como mantinha laços sociais com negros. Tinha renda mais que suficiente para realizar doações a quatro irmandades diferentes.

Com a partida de João Fernandes, Xica da Silva ficou no Arraial do Tijuco com as filhas. Passou, então, a administrar sozinha as posses deixadas pelo contratador. Comportava-se como qualquer senhora abastada do Tejuco. Recebeu, inclusive, a alcunha de “Xica que manda.” Suas filhas receberam uma educação de famílias aristocráticas, enviadas para o Recolhimento de Macaúbas em Minas Gerais.

Xica faleceu em 1796. Como era costume na época, tinha o direito de ser sepultada dentro da igreja de qualquer uma das quatro irmandades a que pertencia. Foi sepultada dentro da igreja de São Francisco de Assis, pertencente a mais importante irmandade local, um privilégio quase que exclusivo dos brancos ricos, o que demonstra sua habilidade em manter seu prestígio e condição social, mesmo após vários anos da partida do contratador para Portugal.


Informa莽玫es Relacionadas

Book – Google: http://books.google.com.br/books?id=QOzcHeENsz8C&lpg=PP1&hl=pt-BR&pg=PA63#v=onepage&q&f=false. Data da pesquisa: 1/8/2013.
Governo do Brasil – Mulheres que fazem a diferença: http://www.brasil.gov.br/secoes/mulher/elas-fazem-a-diferenca/chica-da-silva/print. Data da pesquisa: 1/8/2013.
Companhia das Letras: http://companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=11550. Data da pesquisa: 1/8/2013.
IPHAN – Casa Chica da Silva: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?retorno=detalheInstitucional&sigla=Institucional&id=12955. Data da pesquisa: 1/8/2013.
Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Chica_da_Silva. Data da pesquisa: 1/8/2013.