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Refer锚ncias Bibliogr谩ficas

ARAUJO, Alceu. Jongo. São Paulo: Departamento de Cultura, 1949
GRANDA, Edir. Jongo da serrinha dos terreiros aos palcos. RJ: GGE, 1995
IPHAN. Dossiê IPHAN 5: jongo do sudeste. MINC: IPHAN, 2007 disponível em

<http://portal.iphan.gov.br/porta/baixaFcdAnexo.do;jsessionid

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Vov贸 Maria Joana
(1902 鈥 1986)
Mãe de santo, rezadeira, líder comunitária, fundadora da escola de samba Império Serrano e divulgadora do jongo. Graças a sua atuação e a de sua família, o jongo transformou-se em patrimônio imaterial

Maria Joana Monteiro nasceu em 24 de junho de 1902, na Fazenda Saudade, perto da Fazenda Bem Posta, em Valença/RJ. Em entrevista, afirmava que seus avós paternos eram africanos, que seu avô materno era negro e sua avó materna era índia. Foi batizada na Igreja Nossa Senhora da Glória em 15/08/1902. Aprendeu a ler e a fazer trabalhos manuais na fazenda, cuja dona era sua madrinha. Aprendeu a dançar jongo na fazenda onde nasceu.

Quando seus padrinhos morreram, foi para o Rio de Janeiro viver com o pai, pois sua mãe já era falecida. Logo depois seu pai morreu. Com doze anos foi exercer a atividade de ama-seca em Cascadura. Casou-se aos 14 anos com Pedro Francisco Monteiro, carregador do Lloyd Brasileiro, jongueiro, músico e pai dos seus 14 filhos, dos quais só dois sobreviveram. Morou 12 anos no Morro da Mangueira, mudando-se depois para a Serrinha, onde viveu o restante de sua vida.

Depois de casada, através de um vizinho da Mangueira, que havia se mudado para a Serrinha, foi convidada com seu marido para participar de uma roda de jongo em casa de Seu Antenor. A partir de então, não parou mais de dançar e a participar do jongo. Segundo o dossiê do IPHAN, sua casa tornou-se lugar de sociabilidade do círculo de familiares, vizinhos e amigos, onde histórias e memórias quase secretas mantiveram-se vivas, ao longo de décadas.

Quando ficou viúva, casou-se novamente com o alemão Frederico Kemper, com quem viveu por 7 anos, enviuvando novamente depois de um acidente. Aos 27 anos, começou a desenvolver a mediunidade iniciando suas atividades como Mãe de Santo na Tenda Espírita Cabana de Xangô (umbanda), em um espaço dentro de sua própria casa. Também era rezadeira bastante requisitada na Serrinha e como tal tornou-se líder da comunidade, principalmente por ser respeitada e ter a confiança de todos.

Foi integrante da escola de Samba “O prazer da Serrinha” e fundadora da escola de samba Império Serrano. Pessoa influente na comunidade era parteira e mãe de santo que tinha entre seus filhos de santo, a cantora Clara Nunes.

A partir de meados da década 60, no mesmo Morro da Serrinha, seu filho, o músico percussionista Darcy Monteiro do Império (mais tarde conhecido como Mestre Darcy do jongo), passou a se dedicar à difusão e a recriação da dança em palcos, centros culturais e universidades; dando visibilidade e projeção nacional a esta manifestação cultural.

O trabalho de Vovó Maria Joana e de sua família permitiu que a Serrinha fosse a última comunidade urbana do Rio a preservar o jongo, na medida em que os outros núcleos existentes se encontram no interior dos Estados do Rio e de São Paulo (Valença, Pinheiral, Barra do Piraí, Santo Antonio de Pádua, Miracema, Angra dos Reis e Guaratinguetá). Hoje o jongo é patrimônio imaterial.

Vovó Maria faleceu no Rio de janeiro, em 27 de fevereiro de 1986.


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