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Refer锚ncias Bibliogr谩ficas

CARVALHO, Anna Maria Fausto Monteiro de. Mestre Valentim. São Paulo: Cosac & Naify, 1999.
CAVALCANTI, Nireu. O Rio Setecentista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 2004
SILVA, Lúcia. Visões da América Colonial: O Rio de Janeiro de Mestre Valentim, como pensar etnicamente uma cidade colonial. Disponível em http://www.53ica.com

Mestre Valentim
(1744 鈥 1813)
Escultor, arquiteto e urbanista. Artista e urbanista autodidata. Gênio do barroco brasileiro. Homem livre em sociedade escravista que trabalhou como escultor, projetista e urbanista, traduzindo para o riscado da cidade as demandas de uma sociedade que se modernizava. Construiu uma cidade barroca com espaços de sociabilidade para a população negra carioca (escrava e livre). Seu legado é a própria cidade.

Valentim Fonseca e Silva nasceu no Serro do Frio, distrito de Diamantina, Minas Gerais, em 13 de fevereiro de 1744 ou 8 de março de 1744 (essa pode ser a data de seu batismo). Filho natural do português Manoel da Fonseca e Silva e da escrava Joana, da nação Saburu, que por causa de sua alforria passou a se chamar Amatilde Fonseca da Silva, pertencia a Antônio Pacheco. Valentim aprendeu seu ofício com entalhadores mineiros. Chegou ao Rio por volta de 1770, passando a integrar a Irmandade dos Pardos de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.

No mesmo período em que Aleijadinho era contratado para a famosa obra da igreja de São Francisco de Assis, Valentim começa a trabalhar no Rio. Dois gênios do barroco, apesar de virem da mesma região, desenvolveram seus trabalhos sem influência mútua.

Valentim trabalhou em escultura, com arquitetura, paisagismo, urbanismo, prataria, ourivesaria e desenho. Por volta de 1772, Valentim executou um de seus primeiros trabalhos na cidade do Rio de Janeiro, realizando a talha da Igreja da Ordem Terceira do Carmo e da Capela do Noviciado (1773). Tanto na igreja quanto na capela ele faria ainda vários trabalhos, concluindo-os em 1800.

A obra de Valentim ganharia impulso após a nomeação de Dom Luís de Vasconcelos como vice-rei do Brasil, em 1778. Durante a gestão de Vasconcelos, mestre Valentim foi o principal construtor das obras públicas, atuando nas áreas de saneamento, abastecimento e embelezamento urbano.

Em 1779 projeta e inicia as obras de construção do Passeio Público da cidade do Rio de Janeiro, concluído em 1783, onde projetou um conjunto composto por muro, portal e portão, além da Fonte dos Amores, ainda para o Passeio o artista projeta os dois pavilhões ornamentados por duas estátuas representando Apolo e Mercúrio.

Em 1785 projeta e executa o chafariz das Marrecas, ornamentado por duas estátuas representado a Ninfa Eco e o Caçador Narciso. Neste mesmo ano é inaugurado o Passeio Público. Entre 1778 e 1790 Valentim trabalhou nas principais obras da cidade, com exceção da Praça XV. A novidade estava em planejar o uso do solo urbano longe de seu aspecto estritamente utilitário, como era feito até então. Valentim foi chamado para intervir em um espaço que após sua urbanização transformar-se-ia morfologicamente em uma típica cidade barroca. Ele procurou aliar utilidade à beleza.

Os equipamentos urbanos projetados com ruas mais largas e os chafarizes fizeram da região do passeio uma área valorizada, consolidando a ocupação para a zona sul. Antes da urbanização da região, o trajeto em direção à zona sul era difícil. Valentim foi o grande construtor de chafarizes e esses chafarizes denotam o eixo de expansão da cidade. Valentim ainda construiu o Chafariz das Saracuras no pátio do Convento da Ajuda em 1795 (atual Cinelândia).

A urbanização da Praça XV foi pensada por ele como lócus de sociabilidade. A reforma de Valentim na Praça XV se insere em um projeto maior de urbanização da praça. Em torno do chafariz se concentrava o comércio ambulante, e na medida em que marinheiros, escravos, os habitantes da região e transeuntes eventuais iam executando suas rotinas, também desfrutavam da nova estética funcional da cidade. A praça foi reformada para se assemelhar ao cais de Lisboa, que ele nunca conheceu.

Valentim faleceu em 24 de fevereiro de 1813, na cidade que ajudou a construir.


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