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Refer锚ncias Bibliogr谩ficas

COSTA, Hebe Canuto da Boa-Viagem de Andrade. Elas, as pioneiras do Brasil: a memorável saga dessas mulheres. SP: Scortecci Editora, 2005.
MENDONÇA, Lúcio de. Luiz Gama. Almanach Litterario de S. Paulo para 1881. São Paulo, Typografia da Província de São Paulo, 1880, p. 50 a 62.
MONTEIRO, Antônio. Notas sobre negros malês na Bahia. Salvador: Ianamá: 1987.
OLIVEIRA, Nélson Silva de. Vultos negros na história do Brasil: Guia de direitos do brasileiro afro- descendente. Brasília: MJ/ SEDH, 2001.
REIS, João José. O rol dos culpados: notas sobre um documento da rebelião de 1835. Anais do Arquivo Público do estado da Bahia, v. 48. 1996.
RUFINO, Alzira; PEREIRA, Maria Rosa; IRACI, Nilza. Cartilha: mulher negra tem história. Santos: Eboh Ed. e Livraria Ltda, 1987.


Luiza Mahin
Personagem histórica, partícipe da revolta dos Malês. Figura histórica que lutou contra a escravidão. Viva na memória popular como símbolo de combate à sociedade escravista. Mãe biológica de Luiz Gama

Em Rebelião Escrava no Brasil – A história do levante dos Malês de 1835, João José Reis afirma que não há indício que vislumbre a existência de uma mulher com o nome Luiza em quaisquer listas de presos por envolvimento no levante. Embora saliente que é possível ter havido participação feminina na revolta, o historiador desconhece fontes que comprovem tal atuação. Em síntese, destaca: “O personagem Luiza Mahin, então, resulta de um misto de realidade possível, ficção e mito” (REIS, 2003, p. 301-304). Aqueles que asseguram sua existência se baseiam principalmente numa carta redigida por seu filho – carta escrita pelo poeta e abolicionista Luiz Gama ao amigo Lúcio Mendonça, ou em obras como a escrita por Pedro Calmon - Malês, a insurreição das senzalas.

O texto em que Luiz Gama contou a história de sua vida encontra-se em uma carta, escrita em 1880, endereçada ao amigo Lúcio de Mendonça. A carta permaneceu por décadas nos arquivos pessoais de Lúcio de Mendonça. Entretanto, o próprio Mendonça narrou a história em artigo publicado ainda no ano de 1880.

Não se sabe se Luiza nasceu na Costa Mina, na África, ou na Bahia, no Brasil. Pertencia à nação nagô-jeje, da tribo Mahin, daí seu sobrenome, nação originária do Golfo do Benin, noroeste africano que no final do século XVIII foi dominada pelos muçulmanos, vindos do Oriente Médio. Tornou-se livre por volta 1812 comprando sua liberdade e sobreviveu trabalhando como quituteira em Salvador. Segundo seu filho, Luiz Gama, dizia ter sido princesa na África.

Aproveitando-se de sua profissão de quituteira, participou de todas as revoltas escravas que ocorreram em Salvador nas primeiras décadas do século XIX, pois de seu tabuleiro eram distribuídas as mensagens em árabe, através dos meninos que pretensamente com ela compravam seus quitutes. Desse modo, esteve envolvida na Revolta dos Malês em 1835 e na Sabinada em 1837-38.

Segundo Reis, a revolta envolveu cerca de 600 homens, os rebeldes tinham planejado o levante para ocorrer nas primeiras horas da manhã do dia 25, mas foram denunciados. Sendo surpreendidos pela força policial, o grupo foi obrigado a se lançar em combate, e sem o elemento surpresa, o movimento foi derrotado. Ela e outras lideranças conseguiram escapar da perseguição. Luiza partiu para o Rio de Janeiro deixando Luiz Gama (1830-1882), com apenas 5 anos, aos cuidados de seu pai. O menino com dez anos de idade foi vendido ilegalmente como escravo pelo pai jogador para quitar uma dívida de jogo. Seu filho tornou-se poeta e um dos maiores abolicionistas do Brasil.

Luiza como negra livre, da nação nagô, pagã, sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. O destino de Luiza Mahin é apenas sugerido. Há a possibilidade que tenha participado de outros movimentos de insurreição na capital do Império e que dessa vez capturada, sendo detida e deportada para África. Alguns autores acreditam que ela tenha conseguido fugir, indo instalar-se no Maranhão, onde, com a sua influência, desenvolveu-se o chamado tambor de crioula.

Em suas notas biográficas, Luiz Gama indica que Luiza Mahin teve mais um filho, cujo destino lhe era ignorado. O próprio Luiz Gama tentou por toda vida ter informações do destino de sua mãe, mas sem sucesso. Seu filho a descreveu da seguinte forma:

"Sou filho natural de negra africana, livre, da nação nagô, de nome Luísa Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Minha mãe era baixa, magra, bonita, a cor de um preto retinto sem lustro, os dentes eram alvíssimos, como a neve. Altiva, generosa, sofrida e vingativa. Era quitandeira e laboriosa."


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http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/LuiMahin.html