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Refer锚ncias Bibliogr谩ficas

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FERREIRA, Elio. Poesia Negra das Américas: Solano Trindade e Langston Hughes. Recife: Ufpe, 2006.
OLUEMI. Aparecido dos Santos. Nas sendas da revolução: a poesia de Agostinho Neto e Solano Trindade. Dissertação USP http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8156/tde-16092009-165545/
TRINDADE, Raquel. Dados biográficos. In TRINDADE, Solano. Cantares ao meu povo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1981.

Francisco Solano Trindade
(1908 鈥 1974)
Poeta, ativista político e artista múltiplo, a trajetória de Solano Trindade foi marcada pela valorização da estética negra e da cultura afro-brasileira. Politicamente sempre se colocou ao lado da população negra mais pobre, denunciando através de sua arte, principalmente, a discriminação e o racismo.

Francisco Solano Trindade nasceu em Recife, PE, em 24 de julho de 1908. Filho da quituteira Emerenciana e do sapateiro Manoel Abílio, viveu em um lar católico, apesar de seu pai incorporar entidades às escondidas. Estudou até o equivalente ao Segundo Grau, pois chegou a frequentar o curso de desenho no Liceu de Artes e Ofícios.

No final da década de 1920 tornou-se protestante, chegando a ser diácono presbiteriano. Nesta mesma época começa a publicar seus primeiros poemas. Foi neste período que conheceu sua primeira esposa, Margarida, casando-se com ela em 1934, com quem teve quatro filhos.

Participou do I Congresso Afro-Brasileiro em Recife, em 1934, e do II Congresso Afro-Brasileiro realizado em Salvador, em 1937. Ainda em Recife fundou, com o pintor primitivista Barros Mulato e o escritor Vicente Lima, a Frente Negra Pernambucana e o Centro Cultural Afro-Brasileiro para divulgação das obras dos intelectuais e artistas negros. No final da década de 30 deixa o Recife, e vai viver em Pelotas/RS, onde fundaria o Grupo de Arte Popular de Pelotas, embrião dos projetos de teatro popular que o mobilizariam por toda a vida.

Em 1942, o poeta fixou residência no Rio de Janeiro e passou a trabalhar no Serviço Nacional de Recenseamento do IBGE. Morando no município de Caxias, após filiar-se ao partido Comunista de Luiz Carlos Prestes, Solano Trindade fez em Caxias a célula Tiradentes, na qual se reuniam operários e camponeses da Baixada Fluminense.

Neste período, pegando o trem da Leopoldina para trabalhar no IBGE, no centro da cidade do Rio, ele escreve Tem Gente Com Fome, publicada no livro “Poema de Uma Vida Simples”, de 1944. Em função de sua militância política foi preso duas vezes durante o Estado Novo, tendo o seu livro apreendido.

Ainda no Rio iria conviver com intelectuais, jornalistas e artistas, que contribuíram para ampliar e consolidar seus referenciais estéticos e políticos. Neste período, reuniam-se no "Café Vermelhinho" para discutir e conversar com jovens poetas e intelectuais, artistas de teatro, políticos e jornalistas. Em 1945 funda o Comitê Democrático Afro-brasileiro, com Raimundo Souza Dantas, Aladir Custódio e Corsino de Brito.

Na década de 1950, fundaria com sua esposa Margarida e o sociólogo Edison Carneiro o Teatro Popular Brasileiro com o qual viaja para a Europa em 1953. O elenco era basicamente formado por operários, domésticas, comerciários e estudantes. Nos espetáculos o grupo apresentava manifestações populares de batuques, congadas, caboclinhos, capoeira e coco. Ainda com sua esposa ajudou Haroldo Costa a montar o Teatro Folclórico, rebatizado posteriormente de Brasiliana. O grupo também viajaria pelo exterior e bateria recorde de apresentação.

Solano Trindade foi quem primeiro encenou, em 1956, a peça "Orfeu", de Vinícius de Morais, depois transformada em filme pelo francês Marcel Camus, em 1959. Ainda como ator trabalhou nos seguintes filmes: "Agulha no Palheiro", "Mistérios da Ilha de Vênus" e "Santo Milagroso". Além de ser co-produtor do filme "Magia Verde", premiado em Cannes, e diretor do documentário "Brasil Dança", realizado em Praga.

Na volta do exterior, em 1961, juntamente com Claudionor Assis Dias, Tadakio Sakai e Cássio M’Boy, transforma Embu, pequena cidade de São Paulo, num grande centro cultural. O Teatro Popular Brasileiro fazia suas apresentações, atraindo multidões. Este movimento artístico ajudou a dar origem ao nome Embu das Artes, que fez da cidade um lugar conhecido internacionalmente.

Lançaria, em 1958, o livro "Seis Tempos de Poesia” e "Cantares ao Meu Povo", em 1961.
Na década de 1960 ficaria doente, mudando-se de Embu e indo inicialmente para São Paulo e depois para o Rio de Janeiro. Em 1964, um dos seus quatro filhos, Francisco, morreu assassinado num presídio carioca durante a ditadura militar, debilitando ainda mais seu estado de saúde.

Solano Trindade faleceu de pneumonia em uma clínica em Santa Teresa, no Rio de janeiro, em 19 de fevereiro de 1974.

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