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Refer锚ncias Bibliogr谩ficas

AIDAN, Hamilton. Domingos da Guia o divino mestre. Rio de Janeiro: Gryphus, 2005.
NOGUEIRA, Cláudio. Futebol Brasil memória. Rio de Janeiro: SENAC, 2006.
RODRIGUES FILHO, Mário. O negro no futebol brasileiro. Rio de Janeiro: Maud/Faperj, 2007
_________. O sapo de arubinha: os anos de sonho do futebol brasileiro. São Paulo: Companhia das letras. 1994.

Domingos Ant么nio da Guia
(1930 鈥 2000)
Jogador de futebol cuja trajetória se deu em meio à profissionalização do futebol. Sua atuação na popularização do esporte foi importante, mas como figura pública, ídolo do futebol, trouxe à cena social, como pauta, a discussão do racismo nos anos 1930.

Domingos Antônio da Guia nasceu no bairro de Bangu, na cidade do Rio de Janeiro, em 19 de novembro de 1912, filho de lavradores e neto de escravos, começou jogando no time da fábrica de tecidos Bangu, em 1929, assim como seus três irmãos, Ladislau, Luiz e Mamede. Trabalhou como agente da Saúde Pública até a profissionalização do esporte. Depois do Bangu transferiu-se para o Vasco e Nacional, de Montevidéu, onde conquistou o título de campeão uruguaio de 1933, ganhando o apelido de “Divino Mestre” com apenas 20 anos de idade. Voltou ao Brasil para jogar no Vasco e foi campeão carioca em 1934. Saiu novamente do Brasil para jogar no time argentino Boca Juniors e por este clube foi campeão argentino de 1935, sendo, portanto, campeão três anos seguidos por times de países diferentes. Voltando ao Brasil, vestiu a camisa do Flamengo e pelo clube da Gávea foi campeão carioca nos anos de 1939, 1942 e 1943. Entre os anos de 1944 e 47 defendeu o Corinthians paulista e encerrou sua carreira onde começou, no Bangu, sempre atuando como zagueiro.

Ainda que tenha passado por vários clubes e se tornado ídolo de futebol pelo Flamengo, sua história foi ligada ao Bangu, inclusive tendo seu nome incluído na letra do hino composto por Lamartine Babo: “de lá para cá surgiu o Domingos da Guia ...”

Domingos da Guia foi um atleta que lutou pela profissionalização do futebol nos anos 30, e um dos primeiros ídolos negros do futebol, ao lado de Friendereich e Leônidas da Silva , o diamante negro. Domingos da Guia e Leônidas, neste contexto, representaram a ascensão social do negro através da popularização do futebol como esporte de massa, mas esta popularização não significou reconhecimento social. Segundo Mário Filho, os dois atletas protagonizaram aquilo que ele chamava de insubordinação ao que correntemente se esperava do negro no futebol no início da profissionalização: que jogasse "sabendo o seu lugar". O cronista descreve a vontade de Domingos da Guia de jogar no Fluminense quando o esporte era ainda amador, “para ser o primeiro preto a jogar pelo Fluminense. Fora um sonho de Domingos entrar no Fluminense como preto”. Domingos reconhecia o preconceito social também como racial e depois da profissionalização o Fluminense não teve Domingos, “pois por dinheiro, ele jogaria no Vasco”.

Domingos jogava de cabeça erguida, tinha uma perfeita noção de colocação e se destacava pela antecipação nas jogadas. Por sua postura discreta, séria e sua maneira de jogar, lembrava o estilo britânico clássico. Respeitosamente era chamado de professor, mestre ou mesmo doutor. Para Mário Filho, Domingos da Guia podia ser comparado a Machado de Assis, não só pela disciplina e dedicação com que se aplicava ao que fazia, mas, principalmente, porque trazia a autenticidade brasileira, além de ser considerado um artista que aliava a elegância à técnica.

Em 1938 integrou a seleção brasileira e disputou a Copa do Mundo na França, onde o Brasil ficou em terceiro lugar.

Em 1952, depois de passar pelo Olaria carioca como técnico, retornou ao serviço público, no qual se aposentou como fiscal de renda.
Morreu em 18 de maio de 2000, vítima de um acidente vascular cerebral, no Rio de Janeiro.

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