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Refer锚ncias Bibliogr谩ficas

MARCONDES, Marcos Antônio (org.). Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2ª ed. São Paulo: Art Editora, 1998, p.168-169.
Cartola
(1908-1980)
Cartola: Angenor de Oliveira, o nosso Cartola: cantor, compositor, violonista e um dos fundadores do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira.

Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola. Nasceu no bairro do Catete, no Rio de Janeiro em 11 de outubro de 1908. Filho de Sebastião Joaquim de Oliveira e Aída Gomes de Oliveira. Cartola era o mais velho dos oito filhos do casal. Muito jovem aprendeu com o pai a tocar cavaquinho e violão. Ainda na infânica, mudou-se com a família para o bairro das Laranjeiras onde entrou em contato com os ranchos União da Aliança e Arrepiados.

Alguns anos após a mudança para Laranjeiras, dificuldades financeiras obrigaram a família a se mudar para o Morro da Mangueira, onde então começava a despontar uma incipiente favela. Foi no Morro da Mangueira que adentrou no universo da boemia, do samba e da malandragem. E onde conheceria um de seus parceiros mais assíduos, o sambista Carlos Cachaça.

Após a morte da mãe, em torno dos 15 anos de idade, Cartola abandonou os estudos e passou a trabalhar como servente de obra. Foi nesse cenário que adquiriu o apelido de Cartola. Angenor tinha o hábito de proteger a cabeça com um chapeu-coco contra o cimento, e por usar este chapéu os colegas de trabalho o apelidaram de “Cartola”.

Na segunda metade da década de 1920, com a vivência entre a boemia e o samba, junto com um grupo de amigos sambistas do Morro da Mangueira, Cartola criou o Bloco dos Arengueiros. A ampliação e a fusão do bloco com outros existentes no morro gerou, em 28 de abril de 1928, a G.R.E.S Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Nesse período, seus sambas foram popularizados em vozes ilustres como as de Araci de Almeida, Carmen Miranda, Francisco Alves, Mário Reis e Sílvio Caldas.

O contato de Cartola com sua primeira companheira, Deolinda, nasceu da necessidade de cuidados. O sambista levava uma vida de boemia, bebendo, perambulando pela noite e frequentando zonas de prostituição. Alimentava-se mal. Tais hábitos o levaram a enfraquecer e adoecer. Vivia sozinho, e Deolinda, que até então era sua vizinha, se compadeceu e cuidou dele. Essa aproximação se transformou em paixão. Então, Cartola passou a viver com Deolinda, mulher mais velha, que sustentava o lar cozinhando e lavando para fora. Nesse período, Cartola exercia o ofício de pedreiro apenas esporadicamente, preferindo assumir o ofício de compositor e violonista nos bares e tendas locais. Já se firmava como um dos maiores criadores do morro, ao lado do grande amigo Carlos Cachaça e Gradim. Nesse período, Cartola vendia seus sambas. Dentre os compradores consta Francisco Alves (maior ídolo da música brasileira da época).

No início da década de 1930, Cartola conseguiu emplacar alguns sucessos, na voz de Francisco Alves e Arnaldo Amaral. No início da década de 1940, Cartola foi convidado pelo maestro e compositor erudito Heitor Villa-Lobos a formar um grupo de sambistas, para fazer algumas gravações de música popular brasileira para o maestro norte-americano Leopold Stokowski.

Com a morte de Deolinda, Cartola deixou o Morro da Mangueira, afastando-se do cenário musical carioca por cerca de 10 anos. Nesse período, exercia trabalhos modestos, como de lavador de carros e de vigia de edifícios. Segundo alguns estudiosos, esses acontecimentos são um tanto nebulosos. Consta que Cartola tenha brigado com alguns amigos do universo do samba e que também tenha contraído grave doença.
Na década de 1950, exercendo trabalho modesto em Ipanema, Cartola foi reconhecido pelo cronista Sérgio Porto, que assinava também com o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, jornalista que nutria extrema admiração por Cartola e o apelidou de “Divino”. O reencontro rendeu algumas apresentações em rádios cariocas, restaurantes e matérias de jornais e revistas. No final da década de 1960, Sérgio Porto também conseguiu para Cartola um trabalho de contínuo no jornal Diário Carioca, e em seguida no Ministério da Indústria e Comércio. Nesse período, já vivia com Dona Zica, sua inseparável companheira. Em 1964, o casal abre o restaurante Zicartola, espaço antológico do cenário musical do Rio de Janeiro ao promover encontros de samba e boa comida.

No início da década de 1960, Cartola construiu uma casa ao pé do Morro da Mangueira. A residência de Cartola e Zica era frequentada por músicos e jornalistas de renome. Nesse mesmo período, participou em dois discos, de Elizeth Cardoso e de Clementina de Jesus.

No início da década de 1970, aconteceu sua consagração definitiva. Cartola gravou seu primeiro disco solo, fazendo com que sua carreira retomasse impulso. Na segunda metade da década de 1970, lançou seus segundo e terceiro discos solo. No final da década de 1970, mudou-se da Mangueira para uma casa em Jacarepaguá. Nesse mesmo período, foi diagnosticado câncer na tireoide. Mesmo sabendo que a doença era grave manteve segredo sobre ela.

Cartola morreu de câncer em 30 de novembro de 1980, no Rio de Janeiro, aos 72 anos de idade, sendo considerado um dos maiores compositores do Brasil.

Informa莽玫es Relacionadas

Herói - Dona Zica
Centro Cultural Cartola:http://www.cartola.org.br/. Data da pesquisa: 30/7/2013.
Dicionário Cravo Albin: http://www.dicionariompb.com.br/cartola. Data da pesquisa: 30/7/2013.
Folha Online: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u30171.shtml. Data da pesquisa: 30/7/2013.
Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cartola_(compositor). Data da pesquisa: 30/7/2013.
Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Zicartola. Data da pesquisa: 30/7/2013.
REPOM – Revista de Estudos Poéticos Musiciais: http://www.repom.ufsc.br/repom5/zicartola/cartola2.htm. Data da pesquisa: 30/7/2013.