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Refer锚ncias Bibliogr谩ficas

Livro:
HIDALGO, Luciana. Arthur Bispo do Rosário: o senhor do labirinto. 2ª ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

Artigos:
CORRÊA, Maria Clara Queiroz. Arthur Bispo do Rosário – Biografia clínica. In: http://www.abpbrasil.org.br/medicos/publicacoes/revista/arquivos/03Artigo Original - 3 Bispo.pdf. Data da pesquisa: 22/7/2013.

CLAUS, Marta. Arthur Bispo do Rosário: a criação artística como reorganização de mundo. In: http://www.ufsj.edu.br/portal-repositorio/File/existenciaearte/Edicoes/2_Edicao/ARTHUR BISPO DO ROSARIO A CRIACAO ARTISTICA COMO REORGANIZACAO DE MUNDO Marta Claus.pdf. Data da pesquisa: 22/7/2013.

SILVA-SELIGMANN, Márcio. Colecionismo e arte em Athur Bispo do Rosário. In: http://www.uva.br/trivium/edicao1/artigos-tematicos/6-colecionismo-e-arte-em-arthur-bispo-do-rosario.pdf. Data da pesquisa: 22/7/2013.


Arthur Bispo do Ros谩rio - O Bispo do Ros谩rio
(1909/11?-1989)
Arthur Bispo do Rosário nasceu em Japaratuba, em Sergipe. Há divergências quanto à data específica de seu nascimento, pois alguns pesquisadores consideram o dia 14 de maio de 1909 e outros 16 de março de 1911. Filho de Adriano Bispo do Rosário e Blandina Francisca de Jesus. Bispo do Rosário é descendente de escravos africanos.

Bispo do Rosário foi marinheiro na juventude. Como entre os esportes ali estimulados estava o boxe, dedicou-se ao pugilismo. Após deixar a Marinha, trabalhou na Viação Excelsior. Humberto Leoni foi o advogado encarregado de uma ação trabalhista a seu favor contra a empresa Excelsior. Essa relação foi proveitosa para ambos, pois Bispo do Rosário ganhou a causa e Humberto Leoni um empregado dedicado. Bispo morou na casa da família Leoni até sofrer um surto psicótico e ser encaminhado para o hospício.

Na noite 22 de dezembro de 1938, despertou com alucinações. Perambulou pelas ruas do Rio de Janeiro, segundo ele, guiado por um exército de anjos que o conduziria a apresentar-se na igreja da Candelária, no centro. Mas antes disso, perambulou pela igreja da rua Primeiro de Março, também no Centro do Rio de Janeiro.

Dias depois dessa alucinação, foi detido e fichado pela polícia como negro, sem documentos e indigente, e conduzido ao Hospício Pedro II (Hospício da Praia Vermelha). Em janeiro de 1939, ou seja, um mês depois de ter sido conduzido ao Hospício Pedro II, sob o diagnóstico de esquizofrênico-paranóico, foi transferido para a Colônia Juliano Moreira.

Bispo do Rosário chegou à Colônia Juliano Moreira muito agressivo. Ficou um tempo preso, mais logo descobriria uma estratégia para sobreviver. Tendo em vista seu porte forte e determinado e ter praticado boxe na Marinha, tinha habilidade e força para conter os pacientes mais violentos, e assim Bispo conquistou a confiança dos funcionários. Isso assegurou-lhe posição privilegiada na instituição e lhe permitiu diálogo mais próximo com os funcionários. A estratégia de sobrevivência de Bispo do Rosário foi profícua a ponto de, em algumas situações, recusar eletrochoques e medicações. Porém, quando os sinais da esquizofrenia se apresentavam, ele mesmo pedia para um enfermeiro de sua confiança trancafiá-lo. Foi nessas fases de crise aguda e isolamento que sua arte aflorou. Tendo em vista a falta de material, Bispo desfiava o próprio uniforme azul do manicômio e confeccionava suas obras. Cabe salientar que foi nesses períodos que começou a cerzir o Manto da apresentação, uma de suas obras consideradas mais belas e uma das mais conhecidas. Uma indumentária sagrada de luxo, que bordaria durante boa parte de sua vida de interno, para vestir no dia do Juízo Final, na data de sua “passagem”. E bordados nesse manto estão os nomes das pessoas que ele julgava merecedoras de subir aos céus.

Em determinado momento, Bispo do Rosário passou a produzir objetos com diversos tipos de materiais oriundos do lixo e da sucata que, após a sua descoberta, seriam classificados como arte vanguardista. Às vezes, ficava meses sem sair do quarto, numa jornada de 16, 18 horas por dia. Produzia sem parar, mesmo sob forte medicação. Em seu repertório constam diversas obras consideradas de alto valor artístico. Como temas frequentes destacam-se navios, estandartes, objetos domésticos, colagens, pinturas, tapeçarias, bordados, dentre outros.
Segundo especialistas, Arthur Bispo do Rosário produzia em conformidade com o que se apresentava e se discutia sobre arte contemporânea mundial. As sucatas, consideradas lixos, foram reutilizadas e preparadas com a preocupação estética dos grandes mestres das artes plásticas. Cabe salientar que Bispo do Rosário vivia em isolamento. Pressupõe-se que não tivesse nenhum contato com influências exteriores que pudessem imprimir o estilo que genialmente desenvolveu.

Bispo do Rosário transitava entre a genialidade e a loucura. Não se sabe se os funcionários e os pacientes da Colônia Juliano Moreira compreendiam suas motivações, porém passariam a levar para ele todo tipo de sucata. Outro destaque entre duas obras é o estandarte. Nessa obra é percebida a importância que Bispo do Rosário conferia à palavra, pois é nela que registra a frase síntese de sua vida: “Eu preciso destas palavras – Escritas”.

Permaneceu na Colônia Juliano Moreira por mais de 50 anos. Em 1982, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro expôs algumas de suas obras, juntamente com a produção de outros artistas, tais como presidiários, menores infratores e idosos, com o título “À margem da vida”. Faleceu em 5 de julho de 1989, no Rio de Janeiro, vitimado por um infarto. Meses após sua morte, em 18 de outubro de 1989, foi inaugurada sua primeira mostra individual, “Registros de minha passagem pela Terra”, atraindo quase 10 mil pessoas à escola de artes visuais do Parque Lage. Após essa exposição, suas obras são apresentadas em vários estados do Brasil e em países como Suécia, França e Estados Unidos, entre outros. Em 1995, sua arte representou oficialmente o Brasil na prestigiosa Bienal de Veneza, na Itália.

Uma de suas frases mais geniais e conhecidas é a que fala sobre a especificidade do comportamento dos doentes mentais: “Os doentes mentais são como beija-flores: nunca pousam, ficam sempre a dois metros do chão”.


Informa莽玫es Relacionadas

As artes de Arthur Bispo do Rosário: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/as_artes_de_arthur_bispo_do_rosario.html. Data da pesquisa: 22/7/2013.
Brasil: Almanaque de Cultura Popular: http://www.almanaquebrasil.com.br/personalidades-arte/9730-arthur-bispo-do-rosario.html. Data da pesquisa: 22/7/2013.
A cara do Brasil (notícias): http://br.noticias.yahoo.com/arthur-bispo-ros-rio-cara-brasil-155100371.html. Data da pesquisa: 22/7/2013.
Itaú Cultural: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=568. Data da pesquisa: 22/7/2013.
Mosaicos do Brasil: http://mosaicosdobrasil.tripod.com/id138.html. Data da pesquisa: 22/7/2013;
Proa – Trabalhos de Arthur Bispo do Brasil: http://www.proa.org/exhibiciones/pasadas/inconsciente/salas/id_bispo_2.html. Data da pesquisa: 22/7/2013.
TUMBLR – Fotos das obras: http://www.tumblr.com/tagged/arthur bispo do rosario. Data da pesquisa: 22/7/2013.
Trigésima Bienal de São Paulo: http://www.bienal.org.br/30bienal/pt/artistas/Paginas/detalheArtista.aspx?ARTISTA=14. Data da pesquisa: 22/7/2013.
Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bispo_do_Rosário. Data da pesquisa: 22/7/2013.