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Refer锚ncias Bibliogr谩ficas

ANDRADE, Emanuel. A dama do barro. Pernambuco: Gráfica e Editora Franciscana, 2006.
Ana Leopoldina dos Santos - Ana das Carrancas 鈥 a dama do barro
(1923-2008)
Artesã.

Ana Leopoldina dos Santos, a Ana das Carrancas, nasceu no dia 18 de fevereiro de 1923, em Santa Filomena, distrito de Ouricuri, no sertão do Araripe, divisa de Pernambuco com o Piauí. Filha de Joaquim Inácio de Lima, agricultor, e Maria Leopoldina dos Santos, com quem aprendeu a arte de moldar o barro.

No ano de 1932, dona Maria Leopoldina, mãe de Ana, migrou com a família para o Piauí. Instalaram-se em Picos (município do Piauí). Em Picos, aos 22 anos, Ana casou-se com Luiz Frutuoso da Silva, que exercia o ofício de pedreiro. O casal teve as filhas Maria da Cruz e Ana Maria Santos Lopes. Alguns anos depois, Ana fica viúva. Algum tempo depois, Ana contraiu novo matrimônio com José Vicente de Barros, jovem deficiente visual que cantava na feira.

De Picos, a família resolveu migrar para Petrolina, município do Estado de Pernambuco. Em Petrolina, vislumbraram melhores oportunidades, tendo em vista a cidade ser maior e, consequentemente, também a feira da região, onde vendiam os utensílios de barro.

Em meados dos anos 60, os artesãos de Petrolina sofreram com a escassez do barro nessa região. Assim, havia a necessidade de adquirir matéria-prima em pontos distantes ou muitos louceiros precisarem optar por outras alternativas de trabalho para sobreviver. Nesse contexto de adversidade, Ana vislumbrou no rio São Francisco a solução da escassez de matéria-prima.

Às margens do rio São Francisco, quando foi pegar matéria-prima, Ana teve uma inspiração para fazer carrancas. Ao cavar profundamente, encontrou barros de várias espécies, branco, verde e amarelado. Foi exatamente com esse material que, por volta de 1963, iniciou o trabalho com as carrancas. Inicialmente, suas obras nas feiras tiveram resistência dos compradores. Porém, em 1963, com a inauguração da Biblioteca Municipal, Ana foi convidada a produzir novas unidades de peças em tamanhos maiores que o comercializado na feira. Mesmo não sendo de madeira, Ana fez questão de nomeá-las de carrancas, isso em homenagem à inspiração às margens do rio São Francisco.

No ano de 1970, Ana começou a ganhar notoriedade, ao ser descoberta pelos técnicos em turismo (assessores do então presidente da Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur), Eduardo Vasconcelos, que viajavam pelo Sertão, em trabalho de pesquisa sobre artesanato pernambucano). Ao poucos, a fama da artista foi aflorando, com participações nos encontros nacionais e internacionais. Recife, Caruaru, Rio de Janeiro, Brasília, entre muitas outras cidades. Cabe salientar que suas peças também são encontradas em galerias de artesanato popular da Europa e dos Estados Unidos.

Segundo alguns críticos de arte e admiradores da artesã, o ano de 1973 foi um marco em sua carreira, tendo em vista que Ana inseriu em suas figuras o furo nos olhos de todas as carrancas. Isso em homenagem a seu marido deficiente visual.

Nos anos 80 e 90, com o nome consolidado como grande artesã, Ana das Carrancas passou a ter espaço garantido na Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenneart), realizada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Esportes, Agência de Desenvolvimento Econômico.

Em abril de 2002, Ana foi convidada a participar da Semana de Cultura Contemporânea, cujo tema foi Interculturalidade, e reuniu 13 expositores do mundo das artes plásticas e do artesanato popular, entre eles Bruno de Carvalho, Antônio Pinheiro, Tânia Junglut, Caio Reisewitz, Chang Chi Chai, Giancarlo Lorenci e Rachel Rosakén . Evento este realizado no Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói.

Ana das Carrancas conquistou espaço na cena do artesanato pernambucano, sendo considerada um de seus maiores patrimônios. Antes de atingir a fama, despertou e conquistou a atenção de políticos, artistas, empresários, turistas, intelectuais. Em reconhecimento a seu trabalho, Ana é Patrimônio de Pernambuco e, em consequência disso, recebeu das mãos de um chefe da Nação a medalha de Honra ao Mérito Cultural. Esta medalha, dentre outras homenagens, tais como a de alguns grupos musicais do Norte e Nordeste, e no ano de 2000 com a criação do bloco de carnaval Carranca Dourada, foram em reconhecimento à trajetória de uma mulher negra que nunca perdeu a sutileza e a simplicidade. Com sua fala mansa e sorriso sincero, venceu diversos obstáculos expostos pela vida. Nesse cenário, a Dama do Barro é considerada uma das grandes expressões artísticas da cultura popular.

Ana faleceu em 1º de outubro de 2008, aos 85 anos, deixando um legado de perseverança e paixão pela vida.


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