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Abdias do Nascimento
(1914-2011)
Político, ativista social brasileiro, artista plástico, escritor, poeta e dramaturgo. Reconhecido como um dos maiores defensores da cultura e da igualdade para a população afrodescendente no Brasil.

Abdias do Nascimento nasceu em 14 de março de 1914 em Franca, município no interior do eEstado de São Paulo. Em 1938, diplomou-se em Economia pela Universidade do Rio de Janeiro. Sua história de vida confunde-se com as raízes do Movimento Negro no Brasil. Influenciou gerações com sua vivência e longa e produtiva trajetória. Foi um dos criadores do Teatro Experimental do Negro, foi poeta, participou do movimento integralista, foi ator e escultor.

No início da década de 1930, alistou-se no Exército na capital de São Paulo. Como soldado, participou das revoluções de 1930 e 1932. Participou da Frente Negra Brasileira, considerada uma das primeiras organizações do século XX a reivindicar igualdade de direitos para os negros na sociedade. Ainda na década de 1930, mudou-se para o Rio de Janeiro, com o objetivo de dar continuidade aos estudos. Na segunda metade da década de 1930, foi preso por protestar contra a ditadura do Estado Novo de Vargas. Em 1938, organiza, juntamente com um grupo de militantes negros em Campinas/SP, o Congresso Afro-Campineiro, com o objetivo de discutir e organizar formas de resistência à discriminação racial.

Em 1944, juntamente com outros militantes, cria o Teatro Experimental do Negro (TEN), o. Organização que tinha por objetivo a emergência de uma nova dramaturgia, assim como a valorização do negro no teatro. Como uma das estratégias de ação, o TEN contemplava atividades que contribuíam para a consolidação da cidadania do ator e da atriz, por meio da alfabetização e conscientização do elenco sobre a situação da população negra no Brasil. Na sede da UNE, realizaram-se os primeiros cursos de alfabetização, treinamento dramático e cultura geral para os participantes da entidade. Em 1945, o Teatro Experimental do Negro estreia no Teatro Municipal o espetáculo “Imperador Jones”, estrelado por Aguinaldo Camargo e Abdias como diretor. Nesste mesmo período, Abdias, juntamente com um grupo de militantes, funda o Comitê Democrático Afro-Brasileiro, que luta pela anistia dos presos políticos.

Identificando a necessidade de atuação em diversas frentes, v. Vislumbra a Assembleia Nacional Constituinte como possibilidade de intervenção. Nesste contexto, entre os anos de 1945 a 1946, Abdias organiza a Convenção Nacional do Negro, e convence o senador Hamilton Nogueira a propor à Assembleia Nacional Constituinte a inclusão de um dispositivo constitucional definindo a discriminação racial como crime de lesa-pátria. Embora a proposta não tenha sido aprovada, marca-se mais um território de atuação. Em seguida a esste período, juntamente com Édison Carneiro e Guerreiro Ramos, Abdias, organiza a Conferência Nacional do Negro, preparatória do 1º Congresso do Negro Brasileiro.

No final da década de 1960, funda o Museu de Arte Negra. Nesste mesmo período, tendo em vista a repressão policial a sua militância, aceita o convite da Fairfield Foundation e inicia uma série de palestras nos Estados Unidos. Foi professor benemérito da Universidade do Estado de Nova Iorque. Professor eEmérito da, Universidade do Estado de Nova Iorque, Buffalo (professor titular de 1971 a 1981, fundou a cadeira de Cultura Africana no Novo Mundo no Centro de Estudos Porto-riquenhos). Após a volta do exílio, entre final de 1960 e 1970, insere-se na vida política. No final da década de 1970, colaboraou para a criação do Movimento Negro Unificado. No iInício da década de 1980, funda o Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), na PUC-SP, e passa a integrar o executivo nacional do PDT. Funda, no Rio de Janeiro e a nível nacional, a Secretaria do Movimento Negro do PDT. Participa da coordenação internacional do projeto Kindred Spirits, exposição itinerante de artes afro-americanas. Foi deputado federal de 1983 a 1987, e senador da República de 1997 a 1999, assumindo a vaga após a morte de Darcy Ribeiro. Uma das atuações de sua vida política foi abraçar o movimento de criação do dia 20 de novembro como dia oficial da Consciência Negra, conseguindo, em 2006, em São Paulo, instituí-lo. Em reconhecimento a sua história, recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade de Brasília.


Abdias do Nascimento faleceu em 24 de maio de 2011, na cidade do Rio de Janeiro. Em sua trajetória de vida, constituiu-se referência na reflexão e nas atividades sobre a população negra brasileira. Escreveu livros antológicos como "Sortilégio", "Damas para negros e prólogo para Brancos", "O negro revoltado", e outras obras que apresentam imersão qualificada na análise dos mecanismos do racismo, colaborando, então, para o processo de compreensão da realidade de negros e negras na sociedade brasileira. Pelo conjunto de sua obra e vivência, é considerado um ícone da luta contra a discriminação racial.