Z贸zimo Bulbul (1937-2013)
Por Walter Rosa



CENA 1 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

ZÓZIMO
A câmera é uma arma. No dia em que descobri isso, resolvi usá-la para fazer um cinema feito por criadores negros, que falasse da gente de dentro da nossa pele.
E aí, tá tudo certo? Vamos rodar?

CENA 2 – INT - MIX DE FOTOS DE ARQUIVO

ZÓZIMO
(V.O.)
Entrei no cinema como ator no início dos anos 60. Trabalhei com os principais diretores do Cinema Novo. Do cinema, fui para a televisão.

ZÓZIMO
(V.O.)
Me chamaram para fazer o protagonista de uma novela. Meu personagem namorava uma branca, interpretada pela Leila Diniz. A censura mandou tirar a novela do ar porque, além da mocinha começar a namorar um negro, um absurdo naquela época, ela ficava grávida.

ZÓZIMO
(V.O.)
A polêmica me rendeu um convite para trabalhar como modelo. A campanha fez sucesso, mas queria mostrar que eu era mais do que um ator vazio.

ZÓZIMO
(V.O.)
Eu era um criador negro e tinha algo a dizer. Voltei pro cinema. Como roteirista e diretor, trabalhei sem parar. Fiz três curtas, cinco médias-metragens, e um longa. Todos focados na questão do negro.


ZÓZIMO
(V.O.)
Criei o Centro Afro-Carioca de Cinema e organizei o festival Cinema Negro: Brasil, África e Caribe. Meu último trabalho foi num curta em que interpretei o Almirante Negro, João Cândido.

ZÓZIMO
(V.O. sobre a cena do curta)
Sou Zózimo Bulbul. Sou um cidadão negro brasileiro.

CENA 3 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

ATOR QUE FAZ ZOZIMO
“Mais importante do que a imagem na telona é a história escrita”, disse Zózimo Bulbul. E eu digo, sou Walter Rosa, sou um cidadão negro brasileiro.

 

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