Xica da Silva (1731/32?-1796)
Por Cris Vianna



CENA 1 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

CHICA
Pode uma escrava se tornar rainha da maior cidade produtora de diamantes de Minas Gerais no auge da colonização? Eu pude. E vou contar como.

CENA 2 – Int - Mix de fotos de arquivo

CHICA
(V.O.)
No meu Tijuco natal, hoje conhecida como Diamantina, nasci escrava, mulata filha de mãe negra e pai branco, que nunca me reconheceu como filha. Como escrava, passei de senhor em senhor, até que o contratador João Fernandes veio à cidade negociar os diamantes em nome de Portugal. Diziam que ele era mais rico que o próprio rei.


CHICA
(V.O.)
Nos apaixonamos. Fui alforriada e passei a viver com ele. João Fernandes nunca me escondeu como sua amante, como faziam tantos homens brancos. Fui apresentada à sociedade como se sua esposa fosse. Ai de quem não me respeitasse.

CHICA
(V.O.)
Não havia mulher mais poderosa do que eu. Vestida com luxo, dona de jóias deslumbrantes e uma chácara que mais parecia um castelo, com teatro, lago e uma galé só para mim, deixava a cidade aos meus pés por onde passava em minha liteira.

CHICA
(V.O.)
Tive mais de dez filhos com João Fernandes. Fiz questão que todos fossem registrados pelo pai. Os homens foram educados na Europa. As filhas receberam a melhor educação que uma mulher poderia ter no Brasil Colonial.

CHICA
(V.O.)
Eu me tornei um mito e minha vida rendeu filme, peças de teatro, livros, músicas, enredo de escola de samba e novela. Sou Chica da Silva. Sou uma cidadã negra brasileira.

CENA 3 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

ATRIZ DE CHICA
“É Chica que manda”, disseram sobre Chica da Silva. E eu digo: Sou Cris Vianna Sou uma cidadã negra brasileira.

 

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