Thereza Santos (1938-2012)
Por Matilde Ribeiro



CENA 1 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO


THEREZA
A vida inteira tentaram me convencer que o preconceito contra o negro no Brasil é social e não racial. Não conseguiram. É racial!

CENA 2 – Int - Mix de fotos de arquivo

THEREZA
(V.O.)
Na vila onde morava no Rio de Janeiro, minhas colegas de brincadeiras eram as menininhas brancas. Devo minha consciência de negra à elas. Quando fazia tudo que mandavam, eu era maravilhosa. Mas, quando eu brigava com alguma delas, me chamavam de “Tiziu”, de “Macaca”. Isso só reforçou em mim o orgulho de ser negra.

THEREZA
(V.O.)
Meu pai, também teve uma participação fundamental nisso. Ele comprava livros e mais livros sobre negros, sobre a escravidão, sobre a realidade social, e eu devorava tudo. Resolvi que eu tinha que ajudar a mudar essa situação. Entrei para o Movimento Negro, me filiei ao Partido Comunista do Brasil e fiz da política do teatro meus palcos de luta.

THEREZA
(V.O.)
Por causa da minha militância, tive que sair do Brasil durante a ditadura militar. Me exilei na África, onde participei do processo de independência de Angola e Guiné Bissau. Na volta ao Brasil, retomei minha luta contra o preconceito.

THEREZA
(V.O.)
Quando fui trabalhar em publicidade, não tinham modelos negros nos anúncios. Bati pé, e consegui emplacar crianças e adultos negros em todos os tipos de propaganda.

THEREZA
(V.O.)
Fiz muita coisa nessa vida. Fui teatróloga, atriz, professora, filosofa, carnavalesca e publicitária. Fiz tudo isso sem nunca esquecer quem eu sou. Sou Thereza Santos. Sou uma cidadã negra brasileira.

CENA 3 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO


ATRIZ DE THEREZA
“O esteio da família negra é a mulher”, disse Thereza Santos. E eu digo: Sou Matilde Ribeiro. Sou uma cidadã negra brasileira.


 

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