Teodoro Sampaio (1855-1937)
por Muniz Sodr茅




TEODORO SAMPAIO

CENA 1

Teodoro
Como esse país é grande! Sou daqui, da Bahia. Mais precisamente de Santo Amaro. Fui um homem das ciências. Nasci há muito tempo, em 1855.

(caminhando até o Rio)

Antes dos dez anos fui trazido para o Rio por meu pai, um padre que me alforriou no batismo. Sorte que não tiveram meus irmãos, que anos mais tarde tiveram a alforria comprada por mim.

CENA 2

Teodoro
(off)
Estudei na Escola Politécnica. Tinha acabado de me formar, com 22 anos, quando foi criada a Comissão Hidráulica do Império. Fui convidado para trabalhar com engenheiros brasileiros e americanos. Mas meu nome não apareceu no Diário Oficial junto aos demais. Por quê? Porque era o único negro. As autoridades brasileiras acharam que iam constranger os gringos.

Teodoro
(off)
Da parte deles, não houve constrangimento. Estávamos juntos para melhorar a navegação dos rios e a estrutura dos portos no Brasil. Nossa primeira parada foi em Santos.

Teodoro
(off)
Mas a grande aventura foi o Rio São Francisco.

Teodoro
(off)
Entramos na barra do rio e fomos até Pirapora, em Minas Gerais. Parei em Carinhanha, na Bahia, de onde comecei a travessia da Chapada da Diamantina.

Teodoro
(off)
Fui o primeiro a mapear a região. Minhas anotações ajudaram Euclides da Cunha a escrever “Os Sertões”.

Teodoro
(off)
De minha parte, posso dizer que também deixei alguns escritos, como “O Rio São Francisco e a Chapada Diamantina” e o “Tupi na geografia nacional”.

Teodoro
(off)
Fui engenheiro, geógrafo e historiador. Sou Teodoro Sampaio. Sou um cidadão negro brasileiro.

CENA 3

Muniz Sodré
Hoje Teodoro Sampaio é nome de rua e de cidade. “A história, antes de tudo, é uma lição de moral”, disse ele. E eu digo: sou MUNIZ SODRÉ. Sou um cidadão negro brasileiro.

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