Pixinguinha (1897-1973)
por Toni Garrido




PIXINGUINHA

CENA 1

Pixinguinha
Comecei minha carreira com 15 anos. Tocava em casa de chope, das 8 à meia-noite. Casa de chope era a boate de antigamente. O que eu sabia de música, aprendi na minha casa mesmo, com a minha família. Todos nós tocávamos alguma coisa e sempre tinha os amigos músicos que se encostavam por lá.

CENA 2

Pixinguinha
(off)
Outro lugar em que eu toquei muito foi no cinema. Havia duas orquestras. Uma ficava junto da tela, musicando a fita, que era muda, e a outra, a principal, ficava na entrada, alegrando os freqüentadores antes da fita começar.

Pixinguinha
(off)
Artista preto só com muita paciência era aceito na orquestra de dentro. Na de fora, nem pensar.

Pixinguinha
(off)
Veio a danada da gripe espanhola e os cinemas ficaram às moscas. A cidade inteira, na verdade. Ninguém queria se arriscar a pegar a doença.

Pixinguinha
(off)
Depois do Carnaval de 1919, o dono do Cine Palais quis chamar o público de volta e me convidou para tocar na orquestra principal. Expliquei a ele que o melhor era formar um conjunto. Ele me perguntou: mas todos pretos? Todos pretos, respondi. Ele ficou um pouco preocupado, mas aceitou. Assim formei os “8 Batutas”. O resultado? Tinha gente que ia ao cinema sem saber qual era o filme. Ia só pra ver a gente tocar.

Pixinguinha
(off)
Durante os 10 anos de vida dos 8 Batutas, fizemos muito sucesso. Mostramos o chorinho pro mundo todo.

Pixinguinha
(off)
Depois fui parar no rádio, quando por lá só tinha cantor lírico. No rádio, fiz de tudo, fui compositor, arranjador, produtor. Em 1934, o Orlando Silva gravou “Carinhoso”. Depois disso, tudo virou história. Meu nome é Pixinguinha. Sou um cidadão negro brasileiro.

CENA 3

Toni Garrido
“Eu cheguei e fui escurecendo o rádio”, disse Pixinguinha. E eu digo: sou TONI GARRIDO. Sou um cidadão negro brasileiro.

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