Oliveira Silveira (1941-2009)
Por Joel Zito




CENA 1 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

OLIVEIRA
Para muita gente, uma data é apenas um monte de números num calendário, mas não pra mim. Datas carregam uma simbologia, uma significação.

CENA 2 – INT - MIX DE FOTOS DE ARQUIVO

OLIVEIRA
(V.O.)
Ainda bem menino na cidade gaúcha de Rosário do Sul, onde eu nasci, me ensinaram na escola que o dia 13 de maio de 1988, era o dia mais importante para os negros brasileiros, porque era a data da Abolição. Essa história nunca fez muito sentido pra mim.

OLIVEIRA
(V.O.)
Se 13 de maio era o dia da Lei Áurea, o dia 14 de maio – e todos os outros desde então – era o dia da miséria, do desemprego, da vida de sem teto e da falta da cidadania na qual os negos foram lançados por uma liberdade que só existia no papel.
OLIVEIRA
(V.O.)
No início dos anos 70, quando já morava em Porto Alegre, eu e um grupo de amigos começamos a pensar numa data que realmente simbolizasse a história de resistência do negro no Brasil. Fui pesquisar, e me deparei com a história do Quilombo dos Palmares e de Zumbi, morto em 20 de novembro. Essa é que tinha que ser a nossa data, e lutamos para que ela fosse reconhecida com tal.

OLIVEIRA
(V.O.)
Hoje o 20 de novembro é reconhecido no Brasil inteiro como dia da Consciência Negra. Fui escritor, professor e poeta. Nasci até com a rima no nome. Sou Oliveira Silveira. Sou um cidadão negro brasileiro.

CENA 3 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

ATOR DE OLIVEIRA
“O racismo não desaparece. Pode até se aquietar, mas está sempre vivo e atuante”, disse Oliveira Silveira. E eu digo, sou Zoel Zito Araujo. Sou um cidadão negro brasileiro.

 

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