M谩rio de Andrade (1893-1945)
por Jards Macal茅




MÁRIO DE ANDRADE

CENA 1

Mário
Começo logo dizendo: sou um herói sem nenhum caráter. O caráter de que falo não tem nada a ver com questões morais, não. Tem a ver com identidade. Assim como um rapaz de 20 anos quer descobrir quem ele realmente é, o brasileiro ainda busca sua identidade nacional. E é ótimo não ter nenhum caráter. Significa que podemos incorporar o que mais nos apetecer de tudo o que nos cair nas mãos. Ou seja, sou um herói antropofágico.

CENA 2

Mário
(off)
Nasci em 1893. Sou natural da Paulicéia Desvairada, na qual a cidade de São Paulo havia se transformado em 1922. Foi nesse ano que organizamos a Semana de Arte Moderna, o maior evento da história artística brasileira até então.

Mário
(off)
Acho justo dizer que eu fui o teórico do Modernismo. Formatei em conceitos o sentimento de um grupo de jovens que ansiava por uma arte que não fosse uma imitação, mas uma massa feita de todos os ingredientes disponíveis e que, assim, pudesse ser genuinamente brasileira.

Reprodução de capas de livros de Mário de Andrade.

Mário
(off)
Como pouco adianta a teoria sem a prática, arregacei as mangas e me pus a trabalhar. É meu um dos romances mais comentados da literatura brasileira no século XX, “ Macunaíma”. Isso sem falar nos ensaios sobre o folclore e o cancioneiro popular brasileiros.

Mário
(off)
Também tive uma destacada atuação política no Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, com a disseminação de bibliotecas públicas e a elaboração do projeto de criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que hoje é conhecido como Iphan.

Mário
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Levei a antropofagia tão a sério que me tornei antropófago até na minha trajetória intelectual. Experimentei todos os sabores. Fui poeta, romancista, folclorista, crítico de várias artes, músico e pesquisador musical.

Mário
(off)
Durante três décadas fui o símbolo maior da vanguarda brasileira. Sou Mário de Andrade. Sou um cidadão negro brasileiro.

CENA 3

Jards Macalé
“Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são”, disse Mário de Andrade. Eu digo: sou JARDS MACALÉ. Sou um cidadão negro brasileiro.

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