Maria Firmina (1825-1917)
Por Lucy Ramos




CENA 1 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

MARIA FIRMINA
Sou de um tempo em que havia senhores e escravos no Brasil. Sou de um tempo em que mulheres eram educadas para ler o livro da missa e olhe lá. Sou de um tempo em mulheres não podiam escrever nem publicar um livro no Brasil. Muito menos uma mulher negra. Mas, no meu tempo, eu mudei essa história.

CENA 2 – INT - MIX DE FOTOS DE ARQUIVO

MARIA FIRMINA
(V.O.)
Nasci mulher, pobre, mulata e bastarda. Condições adversas para quem sonhava com a abolição, a igualdade e a educação. Ainda menina, fui morar com uma tia em Viamão, no Maranhão. Lá, completei meus estudos.

MARIA FIRMINA
(V.O.)
O magistério sempre foi uma paixão. Por isso, fundei a primeira escola mista e gratuita do estado. Isso numa época em que muitos pais proibiam as filhas de aprender a ler e a escrever simplesmente para evitar que elas trocassem cartas de amor com os pretendentes.

MARIA FIRMINA
(V.O.)
Escrever era outra paixão. Em 1859, publiquei Úrsula, que muitos hoje consideram o primeiro romance abolicionista brasileiro. Tinha um personagem chamado Susana. Uma negra. A primeira mulher a narrar em primeira pessoa os horrores da escravidão e das viagens em navios negreiros.
MARIA FIRMINA
(V.O.)
Publiquei várias outras obras literárias, mas não vivi para ver o tempo em que eu seria finalmente reconhecida como uma das primeiras romancistas brasileiras. Mas as marcas que eu deixei no papel e na vida não podem ser apagadas. Sou Maria Firmina dos Reis. Sou uma cidadã negra brasileira.

CENA 3 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

ATRIZ DE MARIA FIRMINA
“Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre, um grande mal”, disse Maria Firmina dos Reis. E eu digo: Sou Lucy Ramos. Sou uma cidadã negra brasileira.

 

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