Luiz Gama (1830-1882)
por Joaquim Barbosa




LUIZ GAMA

CENA 1

Luiz
São muitas as histórias de negros que nasceram escravos e se tornaram livres antes da Abolição. Pois agora vou contar uma completamente diferente. Trata-se de um negro que nasceu livre, foi feito escravo e se tornou livre novamente para lutar pela liberdade de todos. É a minha história.

CENA 2

Luiz
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Nasci livre em 1830, filho de um português e Luiza Mahin, uma negra acusada de se envolver com a revolta dos Malês, na Bahia, a primeira grande rebelião urbana de escravos da história do Brasil.

Luiz
(off)
Aos dez anos, me tornei escravo. Meu pai, atolado em dívidas, decidiu que o melhor era me vender para um traficante e fazer dinheiro às custas da minha pessoa.

Luiz
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Me tornei um escravo doméstico em São Paulo, onde, já homem feito, aprendi a ler. E usei isso para provar que eu tinha nascido livre. Portanto, não podia ser um escravo.

Luiz
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Aos 18 anos, fugi e deixei o cativeiro. Afinal, num homem livre, ninguém manda. Fiz da sátira o meu estilo para criticar os que desejavam embranquecer o Brasil e negar a imensa influência africana na formação da nossa identidade nacional, como pode ser comprovado em meu livro “Trovas Burlescas de Getulino”.

Luiz
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Me tornei poeta, jornalista e rábula, um advogado sem diploma. Com minha atuação dos tribunais, consegui a libertação de mais de 500 negros mantidos injustamente no cativeiro.

Luiz
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Fui um dos abolicionistas mais atuantes de São Paulo. Morri sem ver a abolição, mas meu cortejo fúnebre arrastou uma pequena multidão pelas ruas da cidade. Eles prometeram, junto ao meu caixão, jamais deixar minha causa morrer. Promessa cumprida. Sou Luiz Gama. Sou um cidadão negro brasileiro.

CENA 3

Joaquim Barbosa
“ Só rendo obediência à virtude, à inteligência ”, disse Luiz Gama. E eu digo: sou JOAQUIM BARBOSA. Sou um cidadão negro brasileiro.

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