Lima Barreto (1881-1922)
por Joel Rufino




LIMA BARRETO

CENA 1

Lima Barreto
Eu nasci e vivi na cidade do Rio de Janeiro no fim do século XIX, mas, o mais importante é que o Rio de Janeiro viveu e ainda hoje vive em mim.

CENA 2

Lima Barreto
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Nasci numa família de poucas posses. Minha mãe, uma professora, morreu quando eu ainda era criança. Meu pai nos criou até não mais poder.

Lima Barreto
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Cheguei a ingressar na Escola Politécnica, mas fui obrigado a abandonar os estudos para trabalhar e sustentar a família.

Lima Barreto
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Tinha um trabalho burocrata, que eu detestava, e um outro, no qual estava minha verdadeira alma: escrever. Fui cronista de jornal e autor de livros, que hoje são clássicos da literatura brasileira, como “ O Triste Fim de Policarpo Quaresma”.

Lima Barreto
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Mas a minha literatura era diferente da que faziam os chamados grandes escritores do meu tempo. Meus personagens não viviam só no Rio dos bairros chiques da burguesia. Viviam também no Rio dos subúrbios que o poder queria que fosse invisível. Como tornaram invisíveis os pobres do Morro do Castelo, uma paisagem que ainda existia em meu tempo.

Lima Barreto
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E isso despertou a ira dos críticos literários daquele tempo, incapazes de reconhecer o talento de quem se recusa a se conformar. Isso me doeu, mas não me impediu de seguir escrevendo. Usei o álcool para aliviar a dor, o que obviamente não foi, nem nunca será a solução para nada.

Lima Barreto
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Com o tempo, os excessos me custaram caro, me levaram até para o hospício. Mas a grande loucura foi a daqueles que não reconheceram o poder da minha literatura. Hoje, estou mais vivo do que nunca. Sou leitura obrigatória em escolas e universidades e meu livros ganharam edições de luxo. Sou Lima Barreto. Sou um cidadão negro brasileiro.


CENA 3


Joel Rufino
“Eu vivo na cidade e a cidade vive em mim”, disse Lima Barreto. E eu digo: sou JOEL RUFINO. Sou um cidadão negro brasileiro.


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