Jos茅 do Patroc铆nio (1853-1905)
por Nei Lopes




JOSÉ DO PATROCÍNIO


CENA 1

José do Patrocínio
Sempre sonhei com uma coisa só: a liberdade. Foi por ela que sempre lutei. Hoje, vi meu grande sonho se realizar. A princesa teve que assinar a Lei Áurea.

CENA 2

José do Patrocínio
(off)
Nasci filho de padre como tantos outros mestiços brasileiros. Vim de Campos para o Rio. Trabalhei de pedreiro na Santa Casa para pagar meus estudos de Farmácia.

José do Patrocínio
(off)
Mas nunca fui tão bom misturando substâncias, quanto misturando letras. Era no jornalismo que estava minha verdadeira vocação. Fui dono de dois jornais, entre eles a Gazeta da Tarde, e usei meu dom com as palavras para, com papel e tinta, trabalhar pela abolição da escravidão.

José do Patrocínio
(off)
O meu jornal promovia os ideais dos abolicionistas com palavras e com ação. A redação era também a sede da Confederação Abolicionista, uma sociedade que fundei com outros notáveis do meu tempo. Por intermédio da confederação, a gente promovia debates púbicos sobre o fim da escravidão e também promovia fugas de escravos.

José do Patrocínio
(off)
A confederação também ajudava a manter o Quilombo do Leblon, que cultivava camélias e recebia os escravos fugidos. Eu mesmo ia lá de vez em quando.

José do Patrocínio
(off)
Realizado meu grande sonho, a abolição, parti para as realizações dos sonhos pessoais. Fui a Paris e trouxe comigo uma grande invenção: o automóvel. Durante um bom tempo, fui o único a ter um no Brasil.

José do Patrocínio
(off)
Depois, coloquei na cabeça que ia voar. Vendi tudo o que me restava e me dediquei a construir um dirigível. Afinal, sempre fui um visionário. Sou José do Patrocínio. Sou um cidadão negro brasileiro.

CENA 3

Nei Lopes
José do Patrocínio nunca conseguiu voar, mas conquistou a liberdade e, como ele mesmo disse: “A liberdade é mais que a vida”. E eu digo: sou NEI LOPES. Sou um cidadão negro brasileiro.

Informa莽玫es Relacionadas