Jo茫o do Vale (1934-1996)
Por MV Bill



CENA 1 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

JOÃO
Nos meus tempos de menino, filho de rico virava doutor; filho de pobre mal tinha chance de estudar. Muitos dos meus colegas, amargaram uma dura vida no sertão. Essa poderia ter sido a minha sina, mas tive a sorte de fazer baião.

CENA 2 – Int - Mix de fotos de arquivo

JOÃO
(V.O.)
Comecei menino, fazendo música pra Bumba meu Boi. Mas minha vida de criança não foi fácil não, eu vendia pirulito, arroz doce e mugunzá, pra ajudar a família.

JOÃO
(V.O.)
Antes dos 15 anos, coloquei na cabeça que eu ia deixar o sertão do Maranhão pra ser compositor no Rio de Janeiro.

JOÃO
(V.O.)
De trem e pau-de-arara fui fazendo o meu caminho. Rodei o Nordeste todo. Vi a ema gemer no tronco do juremá, vi muita gente pisar na fulô, vi carcará avoar que nem avião.

JOÃO
(V.O.)
Até garimpeiro em Minas Gerais eu fui. Foi com o dinheiro do garimpo que eu finalmente consegui chegar ao Rio de Janeiro.

JOÃO
(V.O.)
No Rio, virei peão de obra. Trabalhava e dormia na construção. Mas sempre batalhei pelo sonho de ser compositor. Não foi fácil, mas com muita luta cheguei lá.

JOÃO
(V.O.)
No show Opinião, que desafiou a ditadura militar, o Brasil inteiro conheceu a força do Carcará que eu trago dentro de mim. Fiz mais de 300 músicas, gravadas por mim e pelos mais famosos cantores do Brasil. Sou João do Vale. Sou um cidadão negro brasileiro.

CENA 3 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

ATOR DE JOÃO
“É só me dar terra para ver como eu planto arroz, feijão e café”, disse João do Vale. E eu digo: Sou MV Bill. Sou um cidadão negro brasileiro.

 

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