Jo茫o C芒ndido (1880鈥1969)
por Jorge Coutinho




JOÃO CÂNDIDO

CENA 1

João Cândido
Foi bem daqui, do meio da Baía de Guanabara, que eu parei o Brasil.
(apontando na direção do Catete)
O Palácio do presidente ficava bem ali.
Era novembro de 1910. Os castigos corporais imperavam na Marinha. Foi a isso que eu e meus companheiros dissemos: Não!

CENA 2

João Cândido
(off)
Quando acabou a luta no convés do Minas Gerais, mandei disparar um tiro de canhão. Eu não era mais um marujo, era um almirante.

João Cândido
(off)
Quem primeiro respondeu foi o São Paulo...

João Cândido
(off)
Depois foi a vez do Bahia. Mandei um rádio para o presidente, informando que a Esquadra estava levantada. Exigíamos dignidade.

João Cândido
(off)
“Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, não podendo mais suportar a escravidão na Marinha Brasileira...”

João Cândido
(off)
Saiu no jornal e tudo. Tava lá escrito: “Vossa Excelência tem o prazo de doze horas, para mandar-nos a resposta satisfatória, sob pena de ver a pátria aniquilada”.

João Cândido
(off)
O povaréu acompanhou maravilhado o balé dos nossos navios na Baía de Guanabara. Até que chegou a notícia. As reivindicações foram aceitas e os revoltosos estavam anistiados.

João Cândido
(off)
Nos enganaram. Em terra firme, o que nos esperava era a morte. Sobrevivi para ver o fim das punições na Marinha e entrar para a história como o Almirante Negro. Pra quem não me conhece, me apresento: Sou João Cândido. Sou um cidadão negro brasileiro.

CENA 3

Jorge Coutinho
(off)
“Por quatro dias, eu parei o Brasil”, disse João Cândido.
Eu digo: sou JORGE COUTINHO. Sou um cidadão negro brasileiro.

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