Esperan莽a Garcia (?-?)
Por Sheron Menezzes



CENA 1 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

ESPERANÇA
Existem cartas de amor, cartas de pedido, cartas de saudade. Mas, no século 18, não se esperava que um escravo soubesse ler ou escrever nenhuma delas, muito menos uma escrava. Mas eu sabia. E foi uma carta que me colocou na história.

CENA 2 – INT - MIX DE FOTOS DE ARQUIVO

ESPERANÇA
(V.O.)
Nasci escrava na Fazenda dos Algodões, de padres Jesuítas no Piauí. Foi lá que aprendi as letras. Mas quando os Jesuítas foram expulsos do Brasil, as terras foram confiscadas pelo governo.

ESPERANÇA
(V.O.)
Fui separada do meu marido, para trabalhar de cozinheira numa outra fazenda. Lá, nas mãos do feitor, eu e minha criança sofremos todos os tipos de crueldade de maus tratos.


ESPERANÇA
(V.O.)
Em 1770, reuni toda a coragem que eu tinha para escrever uma carta ao Presidente da Província do Piauí, que hoje poderia ser chamado de governador.

ESPERANÇA
(V.O.)
Denunciei as violências que eu, as crianças e minhas companheiras sofríamos, e pedi que eu fosse levada de volta para a Fazenda dos Algodões. Queria batizar minha filha e reencontrar meu marido.
ESPERANÇA
(V.O.)
A história não registra qual foi a decisão do governador, mas minha carta sobreviveu aos séculos. É hoje um símbolo da esperança e da coragem de quem tem a ousadia de reivindicar seus direitos. Sou Esperança Garcia. Sou uma cidadã negra brasileira.

CENA 3 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

ATRIZ DE ESPERANÇA
“Ponha os olhos em mim”, disse Esperança Garcia. E eu digo: Sou Sheron Menezes. Sou uma cidadã negra brasileira.

 

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