Dom Ob谩 (1845?-1890)
Por Tony Tornado



CENA 1 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

D. OBÁ
Vivi uma vida plebeia, mas eu sou nobre. Legítimo herdeiro do trono do Império de Oyó. Não tive direito a meu reino, mas desfilei toda a minha altivez pelas ruas do Rio de Janeiro.

CENA 2 – INT - MIX DE FOTOS DE ARQUIVO

D. OBÁ
(V.O.)
Minha vida começa no sertão da Bahia, em meados do século 19, onde nasci de pais africanos livres. Quando veio a Guerra do Paraguai, me alistei como voluntário. Foram muitos os negros que lutaram nessa guerra.


D. OBÁ
(V.O.)
Entrei como praça e deixei o Exército com o título de alferes, em função da bravura demonstrada nos campos de batalha. Depois da guerra, fui para o Rio de Janeiro. Na capital, era tratado como um verdadeiro soberano pelos habitantes da Pequena África, região da cidade que concentrava uma grande população negra.

D. OBÁ
(V.O.)
Muitos brancos duvidavam da minha nobreza. Ou me tratavam como uma figura folclórica, ou me tinham como amalucado. Mas não D. Pedro II, com quem convivi e pude diretamente pleitear a abolição da escravatura e defender a valorização dos homens e mulheres negros em diversas audiências. Fui um elo de ligação entre o poder imperial e as massas populares.

D. OBÁ
(V.O.)
Lutei contra o preconceito de cor em artigos publicados na imprensa e lidos avidamente nas quitandas populares. Fui um rei sem reino, mas com muitos súditos e leitores. Sou Dom Obá II D’África, o Príncipe do Povo. Sou um cidadão negro brasileiro.

CENA 3 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

ATOR DE D. OBÁ
“Orgulho-me de preto ser. Preta é a cor invejada”, disse Dom Obá. Sou Tony Tornado. Sou um cidadão negro brasileiro.

 

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