Clementina de Jesus (1901/2?-1987)
Por Zezeh Barbosa



CENA 1 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO


CLEMENTINA
Obrigada! Obrigada! Tudo isso foi arranjo de Nossa Senhora da Glória. Foi na festa dela que um poeta chamado Hermínio Belo de Carvalho me conheceu e ficou doido pelas músicas que eu cantava. E eu já tinha pra mais de 60 anos nas costas.

CENA 2 – Int - Mix de fotos de arquivo

CLEMENTINA
(V.O.)
Jongo, caxambu, essas coisas aprendi lavando roupa com a minha mãe na beira do rio. Ela me ensinou os cantos que a mãe dela aprendeu nas senzalas. Aprendi a cantar de tudo. De pontos de candomblé a música de missa.

CLEMENTINA
(V.O.)
Sempre fui misseira, jongueira, partideira e festeira, mas só nos dias de folga. Nos outros, dava era duro de doméstica.


CLEMENTINA
(off)
Depois que me descobriram, saí do Rio pra cantar pelo mundo todo. Estive na África, na França. Dancei com seu Hailê Selassiê. Êta nome difícil! Ele era uma espécie de nosso senhor dos rastafaris. Tão bonito. E ainda era imperador da Etiópia!

CLEMENTINA
(off)
Ah, minha nossa senhora, perdoa os que acham que cantar é vestir a garganta de veludo e esconder a alma. Sou Clementina de Jesus, sou uma cidadã negra brasileira.

CENA 3 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

ATRIZ DE CLEMENTINA
(andando para o palco)
“Tô viva e sentindo tudo isso! Posso até pegar com as mãos!”, disse Clementina de Jesus. E eu digo:
Sou Zezeh Barbosa. Sou uma cidadã negra brasileira.

 

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