Benjamin de Oliveira (1870-1954)
por Maur铆cio Tizumba

 



BENJAMIN DE OLIVEIRA

CENA 1

Foto de um picadeiro vazio. BENJAMIN DE OLIVEIRA está no centro dele, vestido como um mestre de cerimônias, com um facho de luz sobre si.

Benjamin
Respeitável público! Preparem vossos corações, porque, dentro de poucos segundos, vocês serão apresentados a um drama sem igual, a história arrebatadora de um palhaço que se tornou um Othelo do teatro popular, que foi um Peri negro no cinema e que, acima de tudo, foi um dos maiores palhaços que esse país já conheceu.


CENA 2

Benjamin
(off)
Minha concepção poderia ter começado assim. Disso eu não sei com certeza. Só sei que nasci filho de uma escrava com um peão em Pará de Minas, em 1870.

Benjamin
(off)
Minha existência poderia ter ficado encoberta pelas muitas montanhas que encobrem as Minas Gerais, se um dia, uma trupe de circo não tivesse passado por lá.

Benjamin
(off)
Comecei como tratador, cuidando de tudo quanto é animal que um circo pode ter. Até um dia em que o palhaço titular não pôde entrar no picadeiro. E lá fui eu no lugar dele.

Benjamin
(off)
E o palhaço, o que é? É um ator. Pura e simplesmente, um ator.

Benjamin
(off)
Um ator que pode interpretar o ladrão do coração de uma mulher, ou um herói da literatura brasileira, ou um protagonista negro shakespeariano.

Benjamin
(off)
Esse é meu grande mérito. Transformei o picadeiro em palco de teatro e lá interpretei todos os tipos de personagens. Tudo isso para o povo, com a participação do povo. Sou Benjamin de Oliveira. Sou um cidadão negro brasileiro.

CENA 3

Maurício Tizumba
“ Falem de mim tal como sou, realmente, sem exagero algum, mas sem malícia ”, disse Benjamin de Oliveira em Othelo. E eu digo: sou MAURÍCIO TIZUMBA. Sou um cidadão negro brasileiro.

Informa莽玫es Relacionadas