Antonieta de Barros (1901-1952)
por Maria Helena

 



ANTONIETA DE BARROS


CENA 1
 

ANTONIETA DE BARROS está diante do quadro negro, como se estivesse dando aula.


Antonieta

Toda ação precisa de um instrumento. O instrumento básico da vida é a instrução. Se educar é aprender a viver, é aprender a pensar. E nessa vida, não se enganem, só vive plenamente, o ser que pensa. Os outros se movem, tão somente.

Essas não são apenas palavras de uma professoras, são palavras de uma mulher que, desde cedo, aprendeu essa lição.

 

CENA 2

Antonieta
Nasci em 1901, de uma família humilde de Florianópolis. Meu pai morreu quando ainda era muito nova e minha mãe, uma lavadeira que não sabia ler e escrever, transformou nossa casa em uma pensão de estudantes para reforçar o orçamento. Foi com os eles que me alfabetizei.

Antonieta
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Foi nessa época que percebi que, se quisesse ter uma vida melhor, tinha que estudar. Fiz a o primário e, em seguida ingressei na escola normal.

Antonieta
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Na minha vizinhança, muitos eram os que não sabiam ler e escrever. Ser analfabeto é como ser cego para os códigos que regem nossa vida cotidiana, do itinerário do ônibus, a uma placa de direção.

Antonieta
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Por isso, resolvi eu mesma me dar o meu primeiro emprego. Assim que me formei professora, fundei o Curso Antonieta de Barros, uma escola de alfabetização que funcionava na minha própria casa. Mantive o curso durante toda a minha vida, mesmo quando também dava aulas nas escolas regulamentadas.

Antonieta
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Também me envolvi com o jornalismo e publiquei um livro, “Farrapos de Idéias”, que assinei sob o pseudônimo de Maria da Ilha.

Antonieta
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Educar também é criar políticas de educação. Por isso entrei para o Partido Liberal Catarinense e fui eleita deputada estadual em 1935. Fui não só a primeira mulher, como também a primeira negra na Assembléia de Santa Catarina. Sou Antonieta de Barros. Sou uma cidadã negra brasileira.

CENA 3

Maria Helena Pereira
“À margem da vida, que é luta, trabalho, conquista, existem os indiferentes”, disse Antonieta de Barros. E eu digo: sou MARIA HELENA PEREIRA. Sou uma cidadã negra brasileira.

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