Aniceto do Imp茅rio (1912-1993)
Por Bira Presidente



CENA 1 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

ANICETO
De dia, as mãos jogam sacas no lombo/
E os pés se arrastam sob o peso no asfalto/
De noite, os pés dançam livres no jongo/
E as mãos marcam o som do partido alto/
Assim vivi: partido entre o sol do estivador e a lua do compositor.

CENA 2 – Int - Mix de fotos de arquivo


ANICETO
(V.O.)
Sou partido desde a criação. Metade da família baiana; metade carioca. Nasci no Estácio em 1912, mas foi na Serrinha que construí meu império.

ANICETO
(V.O.)
Fui pra estiva em 1941. A vida não era mole não. Salário do estivador? Tostão. Lucro do empresário? Milhão. Isso pode? Pode não. Liderei uma greve que parou o porto. Só voltamos com a bandeira da vitória e com aumento de até 400%. Me tornei um sindicalista respeitado.

ANICETO
(V.O.)
O mesmo respeito que eu sempre tive pelo jongo, pai de muitos outros ritmos. O jongo não é brincadeira. O jongo é das almas; é nossa raiz ancestral africana.

ANICETO
(V.O.)
Só fui gravar meu primeiro disco aos 65 anos. Mas sempre fui bamba no partido alto. Ouvia o refrão e fazia os versos de repente. Criei até uma marca própria. A pergunta com respostas rimada, que a roda tinha que adivinhar.

ANICETO
(V.O.)
Sou partideiro. Sou jongueiro/
Levo minha raça a sério/
Sou Aniceto do Império/
Sou cidadão negro brasileiro.

CENA 3 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

ATOR DE ANICETO
“Vivo sob a proteção de almas santas e benditas; pretas almas”, disse Aniceto do Império. E eu digo: Sou Bira Presidente. Sou um cidadão negro brasileiro.

 

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