Aleijadinho (1730鈥1814)
por Emanoel Ara煤jo

 



ALEIJADINHO


CENA 1

Aleijadinho
A Via Sacra começa aqui, na última ceia de Cristo. De santo eu não tenho nada. Mas esse filho de Deus que vos fala também viveu um calvário antes de ter o devido reconhecimento após a morte.

CENA 2

Aleijadinho
(off)
Nasci Francisco Lisboa, em Vila Rica, que hoje vocês conhecem como Ouro Preto. Meu pai me encaminhou nos ofícios da construção e dos entalhes.
Foto do púlpito da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco.

Aleijadinho
(off)
Em pouco tempo, meus talentos corriam de boca em boca e não havia mãos capazes de dar conta de tantas encomendas.
Fotos de vários trabalhos de Aleijadinho espelhados pelas igrejas de Ouro Preto, Mariana e Sabará.

Aleijadinho
(off)
Onde tinha ouro, em Minas Gerais, era difícil achar uma cidade que não tivesse uma obra minha. Foram trabalhos e mais trabalhos, até que as mãos que tanto entalharam começaram a fraquejar, por causa de uma doença que ninguém nunca soube me dizer qual era.

Aleijadinho
(off)

Perdi os dedos, mas não a força e a vontade de esculpir. Aprendi a usar os joelhos como quem usa os pés. Amarrei os instrumentos às mãos para continuar a trabalhar. Afinal, a criação nasce na cabeça, não da ponta dos dedos.

Aleijadinho
(off)
E foi da minha criatividade que nasceu um estilo único de arte: o barroco brasileiro, admirado e respeitado no mundo inteiro. E desse estilo eu sou o grande mestre. Meu nome ficou à sombra de meu apelido. Me chamaram de Aleijadinho. Sou um cidadão negro brasileiro.

CENA 3

Emanoel Araújo
“Esculpi um evangelho em madeira e pedra-sabão”, disse Aleijadinho. E eu digo: sou EMANOEL ARAÚJO. Sou um cidadão negro brasileiro.

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