Abdias do Nascimento (1914-2011)
Por Ant么nio Pomp锚o



CENA 1 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO


ABDIAS
Há quem ache que arte é arte e política é política. Para mim, as duas sempre estiveram interligadas e foram as minhas formas de lutar contra a injustiça e o preconceito.

CENA 2 – INT - MIX DE FOTOS DE ARQUIVO

ABDIAS
(V.O.)
Nasci em Franca, no interior de São Paulo. Minha família era tão pobre que, mesmo sendo filho de sapateiro, passei a infância de pé no chão. Em plena capital do calçado. Mas nada iria me impedir de estudar, e muito, para enfrentar e superar o destino que a sociedade traçava para meninos negros, como eu.

ABDIAS
(V.O.)
Desde muito cedo, tive a consciência de que era preciso lutar pelos nossos direitos na sociedade brasileira e no mundo. Me engajei em várias frentes de luta do Movimento Negro, fui preso duas vezes por isso. Mas nada nem ninguém iria calar a minha voz.


ABDIAS
(V.O.)
Fundei o Teatro Experimental do Negro. O grupo formou atores que até hoje fazem sucesso nos palcos e nas telas. Mais do que um grupo de teatro, nós formamos um grupo de consciência da cidadania negra.


ABDIAS
(V.O.)
Durante os anos de chumbo da ditadura militar, fui para o exílio nos Estados Unidos e na Nigéria. Com a volta da democracia, me tornei deputado federal e senador, sempre lutando pelas causas do negro.


ABDIAS
(V.O.)
Fui artista plástico, escritor, dramaturgo, poeta, político, ativista social. Mas, quando me olho no espelho o que eu vejo é uma coisa só: sou Abdias Nascimento. Sou um cidadão negro brasileiro.

CENA 3 – INT - MONTAGEM SOBRE FOTO

ATOR DE ABDIAS
“Ao espelho te vejo, negrinho. Te reconheço, garoto negro. Vivemos a mesma infância. Para uma infância negra, construiremos um mundo diferente”, disse Abdias Nascimento. E eu digo: Sou Antonio Pompeu. Sou um cidadão negro brasileiro.

 

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