Olodum

A batida quente, o ritmo alegre, o som que invade as ruas do Pelourinho faz a vizinhança abrir as janelas, a baiana esquecer dos acarajés e o turista querer fincar raízes em Salvador, na Bahia, terra de Dorival Caymmi e Jorge Amado. A música foi o caminho escolhido pela Escola Criativa Olodum para entrar na luta pela preservação da cultura afro-brasileira.

 

Esta unidade de ensino musical é ligada diretamente ao Olodum, inaugurado em 25 de abril de 1979. Na época de sua fundação, o único objetivo era organizar um bloco carnavalesco. Ao perceberem o interesse do público, os fundadores realizaram os primeiros shows e elaboraram projetos educacionais com a finalidade de colaborar para a inclusão social do negro.

 

Atualmente, a Escola Criativa Olodum contabiliza 250 alunos, entre sete e 18 anos. E na hora de agarrar a zabumba não há um sequer que deixe de se orgulhar do sangue negro que lhes corre nas veias, o que facilita, e muito, o aprendizado do samba-reggae que empolga multidões no Brasil e no exterior, entre eles os cantores Paul Simon e Michael Jackson.

 

“Há doze anos que mantemos essas oficinas, todas gratuitas para a comunidade. Quando foi criado, em 1984, este projeto se chamava Rufar dos Tambores”, conta o diretor cultural do Olodum, Nelson Mender. Ele se lembra de quando o jovem Pacote do Pelô entrou na escola, depois de vender amendoim torrado nas praças e de catar papelão na Baixa do Sapateiro. Impossível não sentir orgulho de Pacote, que trabalha hoje como instrutor do bloco mirim.

 

O que agrada de verdade o menino Ruan Carlos, de apenas 13 anos, é a mensagem das letras do Olodum. “A maioria das músicas fala sobre o negro, detalha episódios que o negro já passou”, diz. Para Raysa, de 15, o maior benefício da escola é que “ensina a gente a gostar mais da nossa raça”. Queite Eliane, 14, é categórica: “Acho que sou uma negra linda e acho também que a dança me ajuda muito nesse sentido. O Olodum já faz parte de minha vida”.

 

De acordo com o cantor Lucas Di Fiori, à frente do grupo desde 1991, “o Olodum sempre encontra várias formas de inserir o negro nas atividades, seja através do festival, onde a gente seleciona as músicas do carnaval e dos discos do grupo, seja por meio da Escola Criativa. Também oferecemos seminários sobre temas femininos. A nossa missão é fazer com que o negro reconheça a sua importância cada vez mais”, pontua o vocalista.

“Através dessas ações, queremos criar um aspecto de cidadania, de valorização da raça negra, mostrando para a sociedade que o negro tem o seu valor tanto cultural quanto histórico”, emenda o produtor Jorge Ricardo Rodrigues. Ele aproveita para falar sobre os dois projetos originários do Olodum: ‘Arte no Dique’, em Santos, e ‘Régua e Compasso’, em Santo André.

 

Santos fica no litoral sul de São Paulo e Santo André é um município do ABC paulista. “Em qualquer lugar do mundo, todos reconhecem essa batida característica do Olodum”, afirma José Virgílio Figueiredo, coordenador do Arte no Dique. Além de exibir as cores e a levada do grupo baiano, ambos os projetos se mantém firmes no propósito de fazer com que seus alunos se identifiquem como negros e, portanto, herdeiros da rica cultura africana.